Mostrando postagens com marcador Sharon Stone Catherine Deneuve Indochina Repulsa ao Sexo Roman Polanski Bela da Tarde Buñuel Ozon Oito Mulheres Orwell 1984 Lars Von Trier Cannes Melancolia Kirsten Dunst Dançando Escuro Hollywood. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sharon Stone Catherine Deneuve Indochina Repulsa ao Sexo Roman Polanski Bela da Tarde Buñuel Ozon Oito Mulheres Orwell 1984 Lars Von Trier Cannes Melancolia Kirsten Dunst Dançando Escuro Hollywood. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Catherine Deneuve mostra porque é diva


Atriz francesa apresentou-se em São Paulo e Rio para divulgar “Postiche”


“Quatrocentas toalhas brancas? Essa deve ter sido a Sharon Stone, não eu”, comentou em tom de ironia a atriz francesa Catherine Deneuve ao negar a postura de diva do cinema. “Diva, em primeiro lugar, é um termo para ópera. Para as atrizes de cinema é algo meio pejorativo, parece alguém cheio de caprichos”.

É curioso notar que a frase foi dita entre um e outro cigarro durante uma coletiva de imprensa em São Paulo – cidade em que é proibido fumar em locais fechados. É claro que Deneuve não foi importunada em momento algum – vantagens de ser diva.

Ícone do cinema mundial, a atriz está no país para divulgar o filme Potiche – Esposa Troféu, exibido na abertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2011, que acontece simultaneamente em 22 duas cidades brasileiras.

No Rio de Janeiro, Deneuve voltou a conversar com os jornalistas e comentou seu incômodo com a repercussão da história do cigarro: “Se soubesse, não teria fumado. Estou aqui para falar de Potiche e não para parecer uma fumante compulsiva. Sou absolutamente contra o politicamente correto. Fiz uma viagem longuíssima para falar do filme e o que vai ficar é ‘ih, ela fumou’. Francamente!".

Com mais de 100 filmes na carreira, a atriz foi indicada ao Oscar por Indochina (de Régis Wargnier), filme de 1992, mas já havia ganhado o mundo bem antes, quando estrelou Repulsa ao Sexo (1965), clássico de Roman Polanski, e A Bela da Tarde (1967), de Luis Buñuel, duas produções que valorizavam a sexualidade de suas personagens.

Pois é o sexo que traz novamente Catherine Deneuve aos cinemas, desta vez de uma forma mais política. Potiche se passa na década de 1970, momento das revoluções socioculturais, como o feminismo. A atriz vive uma dona de casa submissa casada com um machista dono de uma fábrica de guarda-chuvas. Num dado momento, o homem fica doente e ela toma as rédeas da fábrica e da vida.

“O que me seduziu em Potiche foi o lado alegre dessa história e também por voltar a trabalhar com (François) Ozon após ter filmado com ele Oito Mulheres. Deneuve não nega que já viveu uma situação semelhante à da personagem e lamenta que muitas das relações sejam verticais. “Todos em sua vida tiveram a oportunidade de ser um objeto, estar ao lado de alguém sem poder expressar suas ideias, opiniões. Homens, inclusive – existem muitos homens-objeto por aí, que só servem de decoração para suas mulheres”.

Estrela do cinema que é, Catherine Deneuve foi questionada sobre a indústria do entretenimento e da exploração da vida particular das celebridades e não negou seu inconformismo: “Parece que estamos vivendo a realidade imaginada por George Orwell no romance 1984”, declarou, mas deixou claro que não há a necessidade de um comportamento agressivo por parte do artista: “Sempre achei que há coisas da nossa vida que não dizem respeito a ninguém. Não é porque fazemos filmes que podem nos perguntar qualquer coisa. E, bom, se acho uma pergunta inadequada, não respondo”.

Por isso mesmo ela defende o diretor Lars Von Trier, que envolveu-se numa polêmica no Festival de Cannes deste ano ao afirmar que sentia-se nazista e compreendia o ponto de vista de Hitler. “Ele é sempre extremamente provocador, mas é preciso relativizar as coisas. Foi uma piada de mau gosto, mas ainda bem que o filme (Melancolia) permaneceu na competição e rendeu à Kirsten Dunst o prêmio de melhor atriz”. Deneuve já havia trabalhado com o cineasta dinamarquês em 2000, com o filme Dançando no Escuro.

E é por sua grandiosa carreira que ela pode falar com propriedade sobre o exagerado culto à beleza e à juventude que reina no cinema norte-americano. “Hollywood é Hollywood, cada cultura tem suas fantasias e seus excessos. Pessoalmente, eu lamento. Acredito que a gente envelhece melhor na Europa e nos países latinos”.

Pois aos 67 anos, a idade realmente lhe fez bem e Deneuve acredita que sua beleza vai além do lugar em que mora: “Minha mãe é uma mulher bonita até hoje, então acho que a genética ajuda. Mas também me protejo do sol, tomo bastante água e como legumes cozidos. Só não deixo minha vida se restringir a isso”, garante a musa que, de fato, não se nega o prazer de seu cigarro.