
Doug Liman, que parece gostar do mundo da espionagem (é diretor de A Identidade Bourne e de Sr. e Sra. Smith), arrisca-se a ingressar por um gênero que não vem obtendo grandes sucessos de bilheteria na última década: o cinema com fundo político, de reflexão sobre a conduta de Washington e sobre as guerras do Iraque e do Afeganistão. Tanto obras que trataram o assunto de forma mais séria – caso de Leões e Cordeiros (de Robert Redford), de No Vale das Sombras (de Paul Haggis) e de Syriana (de Stephen Gaghan) – quanto filmes de puro entretenimento – como Rede de Mentiras (de Ridley Scott), O Reino (de Peter Berg) e Zona Verde (de Paul Greengrass) – foram ignorados pelo público norte-americano.


A linguagem visual de A Identidade Bourne é repetida aqui, com uma câmera curiosa, que vigia as ações dos personagens – ou seja, uma espiã, assim como sua protagonista. Naomi Watts interpreta com segurança a agente secreta traída pelo governo e que teve sua vida virada ao avesso, inclusive levando ao extremo a situação de seu casamento com Joseph Wilson, vivido por Sean Penn. A história tem o roteiro adorado por Hollywood, de um “Davi enfrentando Golias” – ou, no caso, de um casal lutando contra a máquina de guerra e de propaganda da Casa Branca. E, ao contrário do que sugere o irônico título original (Fair Game), o jogo não é justo.
* Texto publicado no site http://www.cinemanarede.com/
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