segunda-feira, 25 de julho de 2011

Guillermo del Toro anuncia filme de monstros e robôs gigantes

Na Comic-Con, cineasta mexicano apresentou Pacific Rim e cogitou Hellboy 3



Guillermo del Toro, diretor de Hellboy e O Labirinto do Fauno, esteve presente na Comic-Con para divulgar seu próximo filme, uma ficção apocalíptica chamada Pacific Rim, que só deve estrear em 2013. Ao lado de Ron Perlman, ele também cogitou a possibilidade de concluir a trilogia de Hellboy.

 “O terceiro é o mais difícil porque é o mais escuro. Ele é épico e gigantesco”, comentou para os milhares de fãs, no entanto sem dar pistas se de fato o filme pode acontecer.

Perlman, que interpreta o próprio protagonista da adaptação da HQ criada por Mike Mignola, concorda com del Toro, mas mostrou grande interesse na conclusão da saga do herói demônio: Hellboy 2 foi difícil. Me perguntei se queria mesmo revisitá-lo, mas, olhando de uma forma objetiva, há coisas não resolvidas e deixaríamos na mão as pessoas que investiram nos dois primeiros filmes.”

Se Hellboy 3 está travado, Pacific Rim, um filme de monstros e robôs gigantes, está em fase de pré-produção. Apesar de ainda não poder revelar detalhes sobre o longa, del Toro adiantou que a história se trata de uma guerra entre humanos e descomunais seres saídos dos oceanos.

E prometeu: “É meu dever entregar os maiores monstros do cinema. E é meu dever entregar os maiores robôs do cinema!”. O anúncio foi feito no painel da Legendary Pictures, e o diretor mexicano não guardou elogios ao estúdio: “É um milagre encontrar uma empresa que tem a energia, a ambição, e os culhões para fazer filmes do jeito que queremos fazê-los”.

Também estiveram presentes os atores Charlie Hunnam, Idris Elba e Charlie Day, mas Del Toro fez questão de lembrar: “Parte do elenco não pôde estar presente simplesmente porque eles não caberiam: são os monstros e os robôs!”.

No dia anterior, o diretor também havia estado presente no megaevento que acontece anualmente em San Diego, desta vez para divulgar Não Tenha Medo do Escuro (Don’t Be Afraid of the Dark), longa-metragem de terror roteirizado e produzido pelo próprio del Toro. No elenco, estão presentes Guy Pearce (Amnésia), Katie Holmes (Batman Begins) e Bailee Madison (Esposa de Mentirinha) e a história fala sobre uma família que passa a ser atormentada por fantasmas após se mudaram para uma antiga casa.

Spielberg apresentou imagens de Tintim na Comic-Con


Cineasta participou pela primeira vez de evento que mistura cinema e quadrinhos 


Apesar de ser um dos maiores nomes da cultura pop, aconteceu apenas nesta sexta feira (22/07) a estreia do cineasta Steven Spielberg na Comic-Con – o maior evento de cinema, quadrinhos e TV do ocidente, realizado em San Diego (Estados Unidos).

Spielberg conversou com fãs e apresentou imagens inéditas de As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne, longa-metragem realizado por meio de captura de movimentos e baseado no personagem criado pela artista belga Hergé na década de 1920.

“Conheci o personagem em 1981 a partir de uma resenha francesa que comparou meu filme com algo chamado Tintim. Não sabia o que era, então comprei um livro dele. Eu não leio francês, mas as ilustrações me fascinaram”, explicou o diretor, que foi ovacionado pelo público e recebeu o prêmio Inkpot Awards por sua colaboração na cultura pop ao longo da carreira.

É a primeira vez que o diretor trabalha com captura de movimentos, método utilizado em produções como O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf, na qual as atuações dos atores são digitalizadas e transformadas em animações 3-D.

Foram apresentadas cenas já prontas do filme e, quando as luzes se acenderam novamente, o diretor Peter Jackson (produtor do longa) já estava sentado ao lado de Spielberg – o que foi uma surpresa, já que todos imaginavam que o neozelandês estaria em sua terra natal filmando O Hobbit.

Os dois cineastas se conheceram na festa do Oscar 2004 e decidiram trabalhar juntos desde então – e o diretor de clássicos como “E.T” e Jurassic Park não guardou elogios ao colega: “Depois de George Lucas, esta é a melhor colaboração que já tive. É como se estivesse trabalhando com um irmão, é muito fácil”. Jackson devolveu o elogio e comentou que ficou muito feliz quando, ainda em 1981, soube que Spielberg havia adquirido os direitos de Tintim, já que ele é fã do personagem desde que era criança.

A opção pela captura de movimentos chegou a incomodar alguns fãs quando a produção foi anunciada devido ao resultado final de algumas produções anteriores que utilizaram a técnica – apesar das belas imagens, os olhares e o movimento das bocas sempre pareciam artificiais. No entanto, o estúdio responsável pela animação é a Weta – que produziu Avatar – e Spielberg disse estar satisfeito com as possibilidades oferecidas pela tecnologia, que lhe permitiu posicionar e movimentar a câmera de um jeito que jamais aconteceria no mundo real.

Spielberg garante que a técnica ajuda, inclusive, a dar vida aos personagens da forma como eles haviam sido criados. “Queríamos que o filme se parecesse com os desenhos dos álbuns de Hergé. Queríamos homenageá-lo usando animação para chegar tão perto quanto podíamos dos personagens que ele inventou”.

Jamie Bell, que já havia trabalhado com Peter Jackson na refilmagem de King Kong, foi escolhido para viver o protagonista, e o diretor garante que a opção foi certeira. “Ele é de fato o Tintim e, conforme filmávamos, ele se tornava ainda mais o personagem”.

Sobre o elenco, Jackson complementou brincando: “E obviamente temos Andy Serkis, que aprendeu tudo comigo”, referindo-se ao ator que interpretou Gollum na trilogia O Senhor dos Anéis. Serkis, inclusive, apareceu de surpresa no evento, disfarçado de fã entre o público.

As Aventuras de Tintim é uma história de detetive densa, um mistério de assassinato, mas também é muito engraçado quando precisa ser”, adiantou Spielberg, revelando uma preocupação em tornar familiar entre o público norte-americano o personagem de Hergé, muito conhecido entre os europeus.

O longa-metragem deve chegar aos cinemas brasileiros em novembro e traz, além Jamie Bell e Andy Serkis, a participação de Daniel Craig (o atual James Bond). Spielberg lembrou que, caso a continuação se confirme, os papéis serão invertidos: ele atuará como produtor e Jackson assumirá a direção.

Antes do encerramento, o cineasta ainda respondeu às perguntas dos fãs, como qual seria seu filme preferido de sua filmografia (a resposta foi E.T - O Extraterrestre) e confirmou: a quarta parte de Jurassic Park está em estágio avançado, com história pronta e roteirista contratado. “Deve ficar pronto nos próximos dois ou três anos”.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Loup – Uma Amizade Para Sempre - Crítica

Filme sobre amizade entre menino e lobos tem bela fotografia e roteiro fraco



Produzida em 2008, chega somente agora aos cinemas brasileiros Loup – Uma Amizade Para Sempre, filme que, como deixa claro o típico subtítulo de “seção da tarde”, aborda a história de amizade entre um rapaz e um grupo de animais – no caso, lobos. No entanto, apesar do tema, não é um filme infantil.

O francês Nicolas Vanier levou sua experiência do mundo dos documentários para filmar a aventura de Sergeï (Nicolas Brioudes), um jovem de uma tribo nômade criadora de renas nas montanhas geladas da Sibéria.

Após a “aposentadoria” do ancião do grupo, o honroso cargo de protetor do rebanho passa para Sergeï. A função exige um isolamento da tribo por um determinado período já que é preciso levar as renas para outra região, em busca de novas pastagens.

Mas sua principal missão é proteger o rebanho dos ataques dos lobos, caçadores de cervos e inimigos mortais dos homens naquele território há séculos, como fica claro já no prólogo.

Porém, o garoto encontra uma loba com uma ninhada de filhotes próximo de seu acampamento e, em vez de cumprir o ritual e executar os predadores, fica com dó e, pior, começa a se afeiçoar aos animais, inclusive dando nome a cada um dos lobinhos.

Loup oferece aos espectadores belíssimas imagens e a possibilidade de contemplar incríveis paisagens intocadas pelo homem – a cena das renas subindo a montanha de gelo é mágica. Mas fica claro que a impressionante fotografia serve para preencher o roteiro simples (escrito pelo próprio diretor e por Ariane Fert).

Apesar do carisma de Brioudes e da atriz Pom Klementieff, que interpreta a namorada do protagonista, o filme ignora os coadjuvantes, transformando personagens que interferem na trama em simples clichês – caso do irmão invejoso, por exemplo.

O longa também desliza no terceiro ato, quando a narrativa fica enrolada justamente quando acontece o dilema: sacrificar os lobos, que agora cresceram e se tornaram uma ameaça real ao grande patrimônio da tribo, ou enfrentar seu pai e os demais integrantes do clã?

É curioso ver que Vanier não explorou essa situação, não questionou os valores das tradições de um povo que vive isolado. Afinal o que o garoto faz é propor uma nova relação entre homens e lobos, uma “evolução”, como sugere sua mãe, ao conversar com o marido e líder do grupo. Este responde que foi a tradição de séculos que fez o clã sobreviver até os dias de hoje. Um clã que utiliza binóculos e faz uso do rifle como símbolo de proteção da tribo.

 É a onipresente hipocrisia humana, esteja ele num arranha-céu de uma metrópole ou isolado nas montanhas congeladas da Sibéria.


terça-feira, 12 de julho de 2011

THE DARK KNIGHT RISES - PÔSTER


A Warner acaba de divulgar o primeiro pôster de The Dark Knight Rises, filme que fecha a trilogia de Batman sob a batuta de Christopher Nolan (Amnésia, O Grande Truque, A Origem).

O teaser trailer será lançado nas sessões de Harry Potter e as Relíquias da Morte - parte 2. Se já tivemos um pequeno vislumbre de como será o vilão Bane (interpretado por Tom Hardy), por enquanto nada do uniforme da Mulher-Gato de Anne Hathaway.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

CORAÇÕES PERDIDOS - CRÍTICA

Corações Perdidos traz Kristen Stewart como prostituta
           
A morte deve ser o maior tabu da sociedade ocidental – talvez maior até do que o sexo. Entender e aceitar a limitação da vida é algo quase fora de cogitação, sendo preferível ignorá-la. Mas quando ela chega e nos leva o que é mais precioso – pais ou filhos – podemos ser acometidos por outro sentimento: o da culpa.

É a culpa que move o casal Riley do título original de Corações Perdidos (Welcome to the Rileys). Após a morte da filha adolescente, Lois (Melissa Leo, vencedora do Oscar 2011 por O Vencedor) nunca mais saiu de casa, nem para pegar o jornal na rua. Doug Riley (James Gandolfini, protagonista da série televisiva Família Soprano) afastou-se da esposa e busca pequenos momentos de prazer no pôquer e com uma amante fixa.

Mas a morte ronda mais uma vez a vida de Doug – sua amante também morre repentinamente –, lembrando-o de que ele continua vivo e que precisa sentir isso, efetivamente. Uma convenção de negócios na distante Nova Orleans é a oportunidade para o sujeito buscar novos ares e enxergar sua condição por uma outra ótica. Durante um descanso num bar de quinta categoria, ele conhece uma jovem stripper (Kristen Stewart, da Saga Crepúsculo) que se prostitui para ganhar alguns dólares a mais.

 E é esse relacionamento entre um pai sem filha e uma filha sem pai que move o segundo longa-metragem de Jake Scott (de Os Saqueadores), filho do cineasta Ridley Scott (Gladiador). E o jovem diretor mostra que pode ter uma boa carreira no cinema. Corações Perdidos é um filme delicado, que procura desenvolver seus personagens sem pressa, utilizando-se inclusive de nuances. O belo lar dos Rileys mais parece um mausoléu, e a interpretação de Melissa Leo a aproxima de um zumbi, uma morta-viva. A residência é de uma assepsia exagerada e suas paredes têm um tom azulado quase congelante, opondo-se diretamente à imunda e decadente casa da prostituta Mallory, com iluminação mais quente e viva.

É curioso, também, ver o contraste físico e psicológico entre Gandolfini e Kristen: ele é enorme, e de uma doçura proporcional, enquanto ela é pequena e magra, mas agressiva e ignorante - Kristen foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Milão. Essas dualidades vão transformando os personagens, que procuram redenção e um pouco de felicidade diante do caos que tomou suas vidas. É importante observar que a história se passa em Nova Orleans (a cidade que ficou submersa e destruída após o furacão Katrina e foi negligenciada pelo governo Bush) em 2009, quando os Estados Unidos estavam sentindo na pele a crise financeira mundial. É o lugar e o momento ideais para personagens (ou uma nação?) refletirem os caminhos que percorreram e quais devem ser seguidos daqui para frente.  

CILADA.COM - CRÍTICA

Cilada.com é comédia romântica politicamente incorreta

Depois de cinco temporadas no canal a cabo Multishow (de 2005 a 2009) e de ter virado quadro no Fantástico, o seriado Cilada, criado e protagonizado por Bruno Mazzeo, chega aos cinemas brasileiros com o assunto do momento: a internet.

Enfurecida após ser traída diante de todos os convidados de uma festa de casamento, a namorada (Fernanda Paes Leme) de Bruno posta no “Intube” um vídeo íntimo do casal, revelando que o desempenho sexual do rapaz dura cerca de 12 segundos.

É claro, o vídeo se espalha na rede mundial, vira febre e até ganha remixes funk, tornando a vida do protagonista um inferno. Como acontecia na versão televisiva, o roteiro do próprio Mazzeo – em parceria com Rosana Ferrão – mostra as confusões pelas quais passará o protagonista, porém como é um filme, Bruno precisa de um objetivo antes de subirem os créditos: reconquistar a namorada.

Portanto, Cilada.com é uma comédia romântica recheada de piadas e situações politicamente incorretas, algumas vezes beirando o mau gosto e atingindo a escatologia – e aqui isso não é uma crítica, mas um elogio.

Uma onda de politicamente correto vem atingindo toda a sociedade, em escala mundial, afetando inclusive as artes e o entretenimento. A geração do Iphone pode não saber, mas o Didi de hoje fazia piadas questionando a sexualidade do Dedé há trinta anos.

Se Beber Não Case é claramente uma referência – uma das situações envolvendo uma relação sexual é, coincidentemente, muito semelhante ao que acontece na parte 2 do filme de Todd Phillips –, mas é possível encontrar traços de Austin Powers (como na cena de abertura, com o jogo de sombra no telão) e até do humor de Sacha Baron Cohen.
  
No entanto, Cilada.com, dirigida por José Alvarenga Jr. (Divã, Os Normais), mantém as características próprias graças ao humor esperto e rápido de Mazzeo, que vem se mostrando um ótimo comediante. Os diálogos são hilários e os personagens e acontecimentos arrancam risadas, mesmo que para isso tenha que mostrar o enorme corpo nu de Serjão Loroza ou imaginar como seria uma sessão de terapia em grupo para homens com ejaculação precoce. 

Não é um humor inteligente (os efeitos da internet e a invasão da privacidade poderiam ser melhor explorados) e, por se tratar de uma comédia romântica, é previsível, mas Cilada.com cumpre seu papel e faz rir. E bastante. É bom saber que Chico Anysio deixou um substituto à altura.


CILADA.COM - Entrevista Coletiva

Durante entrevista coletiva, Bruno Mazzeo afirma que já há 
planos para a sequência

Qual cilada poderia ser maior do que ter sua vida íntima exposta na internet? Esta é a premissa de Cilada.com, adaptação da série de tevê criada por Bruno Mazzeo exibida no canal a cabo Multishow (de 2005 a 2009) e que virou quadro do Fantástico. Bem, “vida íntima”, na verdade, é um eufemismo: enraivecida após flagrar seu namorado cometendo adultério no meio de uma festa de casamento, Fernanda (Fernanda Paes Leme) posta no “InTube” um vídeo de uma transa do casal, revelando que ele sofre de ejaculação precoce. É claro que a situação vira febre na internet, (ganha até remixes funk), atrapalhando tanto sua vida profissional quanto pessoal e o levando à loucura.

        Nesta segunda-feira (4 de julho), elenco e produtores de Cilada.com estiveram num shopping de São Paulo para divulgar o filme e bater um papo com jornalistas, e deixar claro que esta produção não é um episódio estendido da série televisiva. “O filme tem um viés romântico que o seriado não tem, e foi este o nosso foco”, explicou José Alvarenga Jr., diretor do filme, que também colaborou no roteiro junto com Mazzeo.


Alvarenga é experiente nessa transposição de mídias (dirigiu séries como Divã e Os Normais e suas versões para a telona) e conta que o longa-metragem do seriado tem a vantagem de explorar outras linguagens: “Com o filme, usamos piadas que jamais faríamos na televisão. O cinema permite ampliar algumas discussões. Mas é importante observar que a TV também está bebendo do cinema, acho legal essa perda de preconceitos entre as mídias”, referiu-se o diretor ao próprio caso de Divã e de A Mulher Invisível.

Invisível, mesmo, queria ficar o personagem de Bruno Mazzeo após seu ligeiro incidente sexual se tornar um viral. “Mostramos no filme essa quebra das quatro paredes da nossa casa para o mundo, essa invasão da privacidade. Podemos fazer um filminho agora e colocá-lo na internet e ele se espalha”, comentou o filho do Chico Anysio, ele próprio alvo de ataques na internet ao fazer um comentário em tom jocoso no Twitter sobre o cantor Luan Santana.

“Sou a favor da técnica de contar até 10, de respirar ou beber uma água antes de agir por impulso”, comentou a atriz Fernanda Paes Leme, que também já se arrependeu de alguns tuites do passado. “No nosso mundo de hoje, temos internet nas mãos, no celular. A Fernanda (a personagem) não imaginava a proporção que causaria sua atitude, ela saiu do casamento e foi direto postar o vídeo, e depois se arrependeu”.

E o fato de usar os nomes reais no filme assustou a atriz num primeiro momento. “Eu estranhei, pensei ‘será que as pessoas vão me confundir com a personagem, achar que eu colocaria aquele vídeo na internet?’”, pensou, mas ficou aliviada ao perceber que o relacionamento com o público não mudou. A ideia de usar os nomes reais foi do próprio Bruno Mazzeo, nos primórdios do seriado, quando ele pretendia fazer do programa uma espécie de reality show humorístico, mas que acabou firmando-se como ficção, mesmo, com apenas alguns toques de experiências pessoais.

Uma dessas experiências é o caso da colega de profissão linda porém com um mau-hálito insuportável interpretada por Carol Castro. “Quero deixar claro que não tenho qualquer relação com a minha personagem”, avisou a atriz previamente em tom de brincadeira, para também não sofrer as confusões entre realidade e ficção. “Mas já contracenei com um colega que tinha bafo. E numa cena de beijo”, lamentou Carol, também de forma humorada.

Outro que brincou com sua própria participação foi o ator Serjão Loroza, que aparece nu de costas numa cena do filme: “Já fui convidado para sair na ‘GG Magazine’ e na ‘PlayBoi’”. Mas Loroza garante que não houve constrangimentos na hora das gravações: “Sou bastante tímido, mas tinha confiança no diretor e sabia que ele estava cuidando de mim. Aliás, obrigado, Alvarenga”, cumprimentou rindo.

O ator Augusto Madeira também ficou feliz por ter participado do longa já que, durante os cinco anos em que esteve no ar, a série apresentou diversos personagens, e os produtores tiveram que selecionar para ver quem cabia no filme. “Nem sei como meu personagem chegou tão longe porque ele surgiu para um episódio específico. Acho que é mais pelo meu relacionamento com o Bruno nos bastidores do que pelo papel no seriado”, brincou. Madeira interpreta Sandro, um amigo do protagonista que utiliza expressões em inglês durante a conversa por ter morado muito tempo nos Estado Unidos.

Esse clima de diversão do elenco reflete o resultado de sessões-testes com o público e a certeza de o filme irá bem nas bilheterias. Com três distribuidoras (Downtown Filmes, Paris Filmes e Rio Filme) e 400 cópias em todo o Brasil, Cilada.com irá bater de frente com grandes produções norte-americanas como Transformes e Harry Potter, mas isso não assusta Alvarenga. “O cinema brasileiro e mais especificamente as comédias nacionais conquistaram seu espaço, algo que não existia há cerca de 10 anos. Hoje, já podemos falar até em ‘blockbuster’ brasileiro”, garante o diretor.

Era o tipo de desafio pelo qual estava procurando Mazzeo, que cancelou o programa Cilada para explorar novas possibilidades: “Não me considero um humorista, mas um artista, e isso significa que o leque é muito mais amplo”. Apesar de ter o controle de seu personagem por conta da longevidade da série, o ator precisou se adaptar à linguagem cinematográfica: “O Alvarenga me deu alguns toques, porque precisei adequar alguns cacoetes do Bruno para ficar melhor na tela grande”.

Os fãs que ainda acreditam que o seriado pode voltar após a carreira de Cilada no cinema podem tirar o cavalo da chuva: “O programa não volta pelo mesmo motivo pelo qual parou: minha necessidade de explorar novos ares e sair da zona de conforto”, garante Mazzeo que, ao menos, deixa um consolo: “Já temos a certeza da sequência de Cilada.com. Só não temos a história”.

sábado, 2 de julho de 2011

GAME OF THRONES


Trama imprevisível e universo complexo é o grande atrativo da série

Sim, Sean Bean está presente com sua espada e armadura medieval à la Boromir; sim, a história fala sobre reis, cavaleiros e honra; sim, há um anão na história; sim, há fantasia e citações sobre criaturas monstruosas e dragões; não, não há qualquer semelhança com O Senhor dos Anéis.

A produção é baseada na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor americano George R. R. Martin, sobre um lugar chamado Westeros, um mundo (com traços de uma fictícia Europa medieval) onde o tempo de duração das estações do ano é completamente irregular. O inverno, por exemplo, pode durar décadas, o que torna o ambiente hostil até para os mais nobres e favorecidos. Um rei governa os sete reinos do continente e precisa manter sobre seu controle as principais dinastias do continente, afinal o inverno está chegando novamente e existe uma luta pelo poder e pela posse do Trono de Ferro.  

Essa é a premissa de Game of Thrones, uma série que foi classificada pelo próprio produtor-executivo David Benioff como “Os Sopranos na Terra Média”, relacionando o seriado de uma família mafiosa e o mundo fantástico de O Senhor dos Anéis. No entanto, basta assistir aos primeiros minutos da série para perceber que seu tom é completamente diferente do mundo criado por J.R.R Tolkien e entender como ela só poderia ter chegado à televisão por meio do canal à cabo HBO.

Todos os personagens são ambíguos e vivem num relacionamento de intrigas e jogos de poder. O sexo é a principal moeda de troca, mas não há nada glamourizado: há incesto, estupro, prostituição e promiscuidade. A violência é crua e sangrenta, com diversas decapitações e sem qualquer traço de heroísmo. E personagens queridos morrem, contrariando as expectativas do padrão deste tipo de histórias.

Benioff e seu camarada Dan B. Weiss levaram a proposta de filmar Game of Thrones à HBO, canal responsável por produzir seriados com conteúdo dramático e apelo adulto, como Oz, Família Soprano e Deadwood. Os executivos da HBO apostaram na ideia e desembolsaram 10 milhões de dólares só para o primeiro episódio que, inclusive, necessitou de refilmagens por conta da saída de alguns atores. Ficou definido que cada temporada terá 10 episódios de uma hora de duração e contemplará um livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, formato que agradou o dono da obra, George R. R. Martin, que sempre declarou que seriam necessárias dezenas de filmes para que sua história fosse adaptada aos cinemas. O escritor participou da transposição contribuindo para o roteiro ao lado de Benioff e Weiss. E o resultado é espetacular.

A densidade de cada episódio faz com que o espectador termine um capítulo desesperado para conferir o seguinte e conhecer as consequências do que ele acabou assistir. Talvez a principal marca de Game of Thrones seja o tratamento dado aos personagens: não há heróis nem vilões, mas pessoas que agem com o simples propósito de sobreviver. Pegue Lorde Eddard “Ned” Stark (Sean Bean), Guardião do Norte de Westeros e amigo do rei. Já no primeiro capítulo vemos que ele procura manter sua honra e a da família, mas não hesita em decapitar um jovem desertor em frente ao seu filho, uma criança.

Na história, Ned Stark recebe o “convite” do Rei Robert Baratheon (Mark Addy) para ser seu conselheiro após o anterior morrer de forma misteriosa. O atual rei conseguiu o cargo ao montar uma rebelião e matar o antigo monarca e toda sua família, com exceção de um casal de crianças que fugiu para terras distantes. Enquanto isso, a Rainha Cersei (Lena Headey, que já havia vivido outra rainha, a esposa do Rei Lêonidas no filme 300) mantém um relacionamento incestuoso com seu irmão gêmeo Sor Jaime Lanniste (Nikolaj Coster-Waldau) e conspira para que seu filho assuma o Trono de Ferro o quanto antes.

Do outro lado do mundo, a garota sobrevivente da família Targaryen casa-se com Khal Drogo (Jason Momoa, que viverá o novo Conan na refilmagem que está prestes a chegar ao cinema), comandante de uma tribo de nômades cujo exército pode ajuda-lhe a recuperar o trono do qual seria herdeira. E, na extremidade de Westeros, Jon Snow (Kit Harington), filho bastardo de Ned Stark, integra a Patrulha da Noite, grupo que vigia os limites do reino em cima de uma gigantesca muralha de gelo construída séculos atrás para impedir a invasão de criaturas sobrenaturais que eles acreditavam estar extintas. Enquanto isso, o terrível inverno está chegando.

Por mais complexo que pareça, essas quatro linhas narrativas representam uma pequena parte de todo um emaranhado de pequenas histórias e personagens que se cruzam e têm importante participação na trama geral, caso do anão Tyrion Lannister, irmão da rainha e ignorado pelo pai por conta de sua deficiência. O personagem é, com o perdão do trocadilho, grandiosamente interpretado por Peter Dinklage, que já havia participado de séries como Nip/Tuck e 30 Rock e esteve presente em As Crônicas de Nárnia 2 – Príncipe Caspian. Tyrion é alguém que precisou adquirir conhecimentos já que não foi contemplado com a beleza e porte físico dos irmãos, tem um humor peculiar e adora uma farra sexual.

Apesar de se tratar de uma série de tema fantástico – o prólogo deixa claro, por exemplo, que os sobrenaturais “caminhantes brancos” existem e rondam a Grande Muralha –, a produção prioriza o realismo e introduz de forma gradual os objetos fantasiosos, como ovos de dragão cristalizados e fósseis do animal, a aparição de “zumbis” e rituais mágicos, por exemplo. Na verdade, desde a extinção dos dragões e a chegada do verão (quando desaparecem os “caminhantes brancos”), os próprios eventos sobrenaturais tornaram-se lendas e as intrigas e traições se mostraram muito mais ameaçadores.

E ameaça é o que mais existe no universo de Game of Thrones. Sua trama é completamente imprevisível e nenhum personagem está seguro –diferente, por exemplo, de Lost (originalmente, o médico Jack morreria logo no início, mas os planos foram mudados pelos produtores...). Para se ter uma ideia, a morte de um dos protagonistas no penúltimo capítulo deixou parte dos fãs não apenas inconformados, mas irritados. Mas é justamente essa característica que torna a série instigante: cada episódio traz uma ameaça real e o espectador corre o risco de ver seu personagem preferido ser morto – e alguns morrem, mesmo.

A segunda temporada já foi aprovada e começa a ser rodada a partir do dia 25 de julho, baseada no livro seguinte, A Fúria dos Reis. O curioso é que o quinto livro, A Dance With Dragons, será lançado somente no dia 12 de julho nos Estados Unidos, e Martin já avisou que a coleção terminará com sete obras, mas, se a HBO produzir uma temporada por ano e o escritor manter o ritmo de trabalho (ele levou quatro anos para lançar o quinto livro), a série poderá ficar paralisada. Como se vê, o inverno poderá chegar para os fãs também. 

A FALTA QUE NOS MOVE - CRÍTICA

Filme é Big Brother com diálogos inteligentes


É saboroso ver que o cinema nacional está maduro e se permite realizar experiências que vão além das produções Globo Filmes. Festivais como CineEsquemaNovo dão espaço a obras autorais e independentes que dificilmente conseguem sair das mostras e alcançar o grande público, mesmo que tragam propostas interessantes e inovadoras – vide o caso do interessante Fluidos, do diretor Alexandre Carvalho.

Cineastas como Cláudio Assis (Amarelo Manga, Baixio das Bestas), Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável, Quanto Vale ou É Por Quilo?) e José Eduardo Belmonte (A Concepção, Se Nada Mais Der Certo) ignoram as comédias fáceis para filmar assuntos sérios, polêmicos e com relevância social buscando uma linguagem própria, sem cair numa fórmula pré-estabelecida. É curioso pensar que até as histórias bizarras de Lourenço Mutarelli alcançaram as salas de cinema com os filmes O Cheiro do Ralo e Natimorto, ambos baseados em seus livros.

É com esse contexto que é interessante analisar a chegada de A Falta Que Nos Move aos circuitos comerciais de São Paulo e Rio de Janeiro. A diretora teatral Christiane Jatahy adaptou para o cinema a peça que dirigiu por quatro anos A Falta Que Nos Move ou Todas as Histórias São Ficção, cuja premissa consistia basicamente em reunir cinco atores num único cenário para improvisar falas, cozinhar e beber enquanto aguardavam a possível chegada de um sexto integrante.

Ao transpor para o cinema, Christiane levou à sua casa os mesmos intérpretes da peça, filmados ininterruptamente por 13 horas seguidas, durante a noite de 23 de dezembro de 2007. Na teoria, não há uma história a ser contada: os atores usam seus próprios nomes e discutem assuntos variados e pessoais, enquanto tomam vinho e preparam a janta. E é aqui que entra a grande sacada deste trabalho, afinal seriam todas aquelas conversas realmente improvisadas? Os atores estão interpretando ou apenas sendo eles mesmos? Ou, na mais básica pergunta, que sempre acompanhou o cinema, o que é real e o que é ficção?

A todo momento, os atores recebem em seus celulares, via mensagens de texto, as instruções da diretora, o que mostra que há, de fato, um comando na ação. A química entre os atores permite que as conversas sejam fluidas, tão naturais que, quando começamos a acreditar que tudo ali é verdadeiro, vemos alguém lendo o roteiro, arrumando o microfone ou um dos operadores de câmera aparece no enquadramento, desfazendo toda a magia. Nesse sentido, é curioso pensar que a vista da luxuosa casa mostra um Rio de Janeiro nublado, cheio de névoas: ainda que seja uma coincidência, é uma metáfora perfeita sobre o próprio filme.

Além da ótima direção de fotografia de Walter Carvalho, que conseguiu evitar o clima teatral utilizando-se de recursos de documentário, também devem ser ressaltados os desempenhos de Kiko Mascarenhas, Pedro Brício, Cristina Amadeo, Daniela Fortes e Marina Vianna. As conversas entre eles vão desde desculpas esfarrapadas para a despolitização de sua geração, passando por questionamentos sobre os caminhos da vida, até inseguranças profissionais e amorosas, e nunca fica chato porque os atores parecem realmente usar experiências pessoais para enriquecer suas falas – exceto pelos minutos finais, quando uma discussão entre eles soa artificial demais.


É óbvio que não é uma novidade essa desconstrução da linguagem cinematográfica: o mestre Eduardo Coutinho já havia brincado muito bem com isso em Jogo de Cena, por exemplo, e esse ano mesmo tivemos Amor?, de João Jardim, também misturando realidade e ficção. Mas Christiane Jatahy criou sua própria versão de Big Brother, porém com diálogos muito mais inteligentes.