quinta-feira, 7 de julho de 2011

CILADA.COM - Entrevista Coletiva

Durante entrevista coletiva, Bruno Mazzeo afirma que já há 
planos para a sequência

Qual cilada poderia ser maior do que ter sua vida íntima exposta na internet? Esta é a premissa de Cilada.com, adaptação da série de tevê criada por Bruno Mazzeo exibida no canal a cabo Multishow (de 2005 a 2009) e que virou quadro do Fantástico. Bem, “vida íntima”, na verdade, é um eufemismo: enraivecida após flagrar seu namorado cometendo adultério no meio de uma festa de casamento, Fernanda (Fernanda Paes Leme) posta no “InTube” um vídeo de uma transa do casal, revelando que ele sofre de ejaculação precoce. É claro que a situação vira febre na internet, (ganha até remixes funk), atrapalhando tanto sua vida profissional quanto pessoal e o levando à loucura.

        Nesta segunda-feira (4 de julho), elenco e produtores de Cilada.com estiveram num shopping de São Paulo para divulgar o filme e bater um papo com jornalistas, e deixar claro que esta produção não é um episódio estendido da série televisiva. “O filme tem um viés romântico que o seriado não tem, e foi este o nosso foco”, explicou José Alvarenga Jr., diretor do filme, que também colaborou no roteiro junto com Mazzeo.


Alvarenga é experiente nessa transposição de mídias (dirigiu séries como Divã e Os Normais e suas versões para a telona) e conta que o longa-metragem do seriado tem a vantagem de explorar outras linguagens: “Com o filme, usamos piadas que jamais faríamos na televisão. O cinema permite ampliar algumas discussões. Mas é importante observar que a TV também está bebendo do cinema, acho legal essa perda de preconceitos entre as mídias”, referiu-se o diretor ao próprio caso de Divã e de A Mulher Invisível.

Invisível, mesmo, queria ficar o personagem de Bruno Mazzeo após seu ligeiro incidente sexual se tornar um viral. “Mostramos no filme essa quebra das quatro paredes da nossa casa para o mundo, essa invasão da privacidade. Podemos fazer um filminho agora e colocá-lo na internet e ele se espalha”, comentou o filho do Chico Anysio, ele próprio alvo de ataques na internet ao fazer um comentário em tom jocoso no Twitter sobre o cantor Luan Santana.

“Sou a favor da técnica de contar até 10, de respirar ou beber uma água antes de agir por impulso”, comentou a atriz Fernanda Paes Leme, que também já se arrependeu de alguns tuites do passado. “No nosso mundo de hoje, temos internet nas mãos, no celular. A Fernanda (a personagem) não imaginava a proporção que causaria sua atitude, ela saiu do casamento e foi direto postar o vídeo, e depois se arrependeu”.

E o fato de usar os nomes reais no filme assustou a atriz num primeiro momento. “Eu estranhei, pensei ‘será que as pessoas vão me confundir com a personagem, achar que eu colocaria aquele vídeo na internet?’”, pensou, mas ficou aliviada ao perceber que o relacionamento com o público não mudou. A ideia de usar os nomes reais foi do próprio Bruno Mazzeo, nos primórdios do seriado, quando ele pretendia fazer do programa uma espécie de reality show humorístico, mas que acabou firmando-se como ficção, mesmo, com apenas alguns toques de experiências pessoais.

Uma dessas experiências é o caso da colega de profissão linda porém com um mau-hálito insuportável interpretada por Carol Castro. “Quero deixar claro que não tenho qualquer relação com a minha personagem”, avisou a atriz previamente em tom de brincadeira, para também não sofrer as confusões entre realidade e ficção. “Mas já contracenei com um colega que tinha bafo. E numa cena de beijo”, lamentou Carol, também de forma humorada.

Outro que brincou com sua própria participação foi o ator Serjão Loroza, que aparece nu de costas numa cena do filme: “Já fui convidado para sair na ‘GG Magazine’ e na ‘PlayBoi’”. Mas Loroza garante que não houve constrangimentos na hora das gravações: “Sou bastante tímido, mas tinha confiança no diretor e sabia que ele estava cuidando de mim. Aliás, obrigado, Alvarenga”, cumprimentou rindo.

O ator Augusto Madeira também ficou feliz por ter participado do longa já que, durante os cinco anos em que esteve no ar, a série apresentou diversos personagens, e os produtores tiveram que selecionar para ver quem cabia no filme. “Nem sei como meu personagem chegou tão longe porque ele surgiu para um episódio específico. Acho que é mais pelo meu relacionamento com o Bruno nos bastidores do que pelo papel no seriado”, brincou. Madeira interpreta Sandro, um amigo do protagonista que utiliza expressões em inglês durante a conversa por ter morado muito tempo nos Estado Unidos.

Esse clima de diversão do elenco reflete o resultado de sessões-testes com o público e a certeza de o filme irá bem nas bilheterias. Com três distribuidoras (Downtown Filmes, Paris Filmes e Rio Filme) e 400 cópias em todo o Brasil, Cilada.com irá bater de frente com grandes produções norte-americanas como Transformes e Harry Potter, mas isso não assusta Alvarenga. “O cinema brasileiro e mais especificamente as comédias nacionais conquistaram seu espaço, algo que não existia há cerca de 10 anos. Hoje, já podemos falar até em ‘blockbuster’ brasileiro”, garante o diretor.

Era o tipo de desafio pelo qual estava procurando Mazzeo, que cancelou o programa Cilada para explorar novas possibilidades: “Não me considero um humorista, mas um artista, e isso significa que o leque é muito mais amplo”. Apesar de ter o controle de seu personagem por conta da longevidade da série, o ator precisou se adaptar à linguagem cinematográfica: “O Alvarenga me deu alguns toques, porque precisei adequar alguns cacoetes do Bruno para ficar melhor na tela grande”.

Os fãs que ainda acreditam que o seriado pode voltar após a carreira de Cilada no cinema podem tirar o cavalo da chuva: “O programa não volta pelo mesmo motivo pelo qual parou: minha necessidade de explorar novos ares e sair da zona de conforto”, garante Mazzeo que, ao menos, deixa um consolo: “Já temos a certeza da sequência de Cilada.com. Só não temos a história”.

sábado, 2 de julho de 2011

GAME OF THRONES


Trama imprevisível e universo complexo é o grande atrativo da série

Sim, Sean Bean está presente com sua espada e armadura medieval à la Boromir; sim, a história fala sobre reis, cavaleiros e honra; sim, há um anão na história; sim, há fantasia e citações sobre criaturas monstruosas e dragões; não, não há qualquer semelhança com O Senhor dos Anéis.

A produção é baseada na série de livros As Crônicas de Gelo e Fogo, do escritor americano George R. R. Martin, sobre um lugar chamado Westeros, um mundo (com traços de uma fictícia Europa medieval) onde o tempo de duração das estações do ano é completamente irregular. O inverno, por exemplo, pode durar décadas, o que torna o ambiente hostil até para os mais nobres e favorecidos. Um rei governa os sete reinos do continente e precisa manter sobre seu controle as principais dinastias do continente, afinal o inverno está chegando novamente e existe uma luta pelo poder e pela posse do Trono de Ferro.  

Essa é a premissa de Game of Thrones, uma série que foi classificada pelo próprio produtor-executivo David Benioff como “Os Sopranos na Terra Média”, relacionando o seriado de uma família mafiosa e o mundo fantástico de O Senhor dos Anéis. No entanto, basta assistir aos primeiros minutos da série para perceber que seu tom é completamente diferente do mundo criado por J.R.R Tolkien e entender como ela só poderia ter chegado à televisão por meio do canal à cabo HBO.

Todos os personagens são ambíguos e vivem num relacionamento de intrigas e jogos de poder. O sexo é a principal moeda de troca, mas não há nada glamourizado: há incesto, estupro, prostituição e promiscuidade. A violência é crua e sangrenta, com diversas decapitações e sem qualquer traço de heroísmo. E personagens queridos morrem, contrariando as expectativas do padrão deste tipo de histórias.

Benioff e seu camarada Dan B. Weiss levaram a proposta de filmar Game of Thrones à HBO, canal responsável por produzir seriados com conteúdo dramático e apelo adulto, como Oz, Família Soprano e Deadwood. Os executivos da HBO apostaram na ideia e desembolsaram 10 milhões de dólares só para o primeiro episódio que, inclusive, necessitou de refilmagens por conta da saída de alguns atores. Ficou definido que cada temporada terá 10 episódios de uma hora de duração e contemplará um livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, formato que agradou o dono da obra, George R. R. Martin, que sempre declarou que seriam necessárias dezenas de filmes para que sua história fosse adaptada aos cinemas. O escritor participou da transposição contribuindo para o roteiro ao lado de Benioff e Weiss. E o resultado é espetacular.

A densidade de cada episódio faz com que o espectador termine um capítulo desesperado para conferir o seguinte e conhecer as consequências do que ele acabou assistir. Talvez a principal marca de Game of Thrones seja o tratamento dado aos personagens: não há heróis nem vilões, mas pessoas que agem com o simples propósito de sobreviver. Pegue Lorde Eddard “Ned” Stark (Sean Bean), Guardião do Norte de Westeros e amigo do rei. Já no primeiro capítulo vemos que ele procura manter sua honra e a da família, mas não hesita em decapitar um jovem desertor em frente ao seu filho, uma criança.

Na história, Ned Stark recebe o “convite” do Rei Robert Baratheon (Mark Addy) para ser seu conselheiro após o anterior morrer de forma misteriosa. O atual rei conseguiu o cargo ao montar uma rebelião e matar o antigo monarca e toda sua família, com exceção de um casal de crianças que fugiu para terras distantes. Enquanto isso, a Rainha Cersei (Lena Headey, que já havia vivido outra rainha, a esposa do Rei Lêonidas no filme 300) mantém um relacionamento incestuoso com seu irmão gêmeo Sor Jaime Lanniste (Nikolaj Coster-Waldau) e conspira para que seu filho assuma o Trono de Ferro o quanto antes.

Do outro lado do mundo, a garota sobrevivente da família Targaryen casa-se com Khal Drogo (Jason Momoa, que viverá o novo Conan na refilmagem que está prestes a chegar ao cinema), comandante de uma tribo de nômades cujo exército pode ajuda-lhe a recuperar o trono do qual seria herdeira. E, na extremidade de Westeros, Jon Snow (Kit Harington), filho bastardo de Ned Stark, integra a Patrulha da Noite, grupo que vigia os limites do reino em cima de uma gigantesca muralha de gelo construída séculos atrás para impedir a invasão de criaturas sobrenaturais que eles acreditavam estar extintas. Enquanto isso, o terrível inverno está chegando.

Por mais complexo que pareça, essas quatro linhas narrativas representam uma pequena parte de todo um emaranhado de pequenas histórias e personagens que se cruzam e têm importante participação na trama geral, caso do anão Tyrion Lannister, irmão da rainha e ignorado pelo pai por conta de sua deficiência. O personagem é, com o perdão do trocadilho, grandiosamente interpretado por Peter Dinklage, que já havia participado de séries como Nip/Tuck e 30 Rock e esteve presente em As Crônicas de Nárnia 2 – Príncipe Caspian. Tyrion é alguém que precisou adquirir conhecimentos já que não foi contemplado com a beleza e porte físico dos irmãos, tem um humor peculiar e adora uma farra sexual.

Apesar de se tratar de uma série de tema fantástico – o prólogo deixa claro, por exemplo, que os sobrenaturais “caminhantes brancos” existem e rondam a Grande Muralha –, a produção prioriza o realismo e introduz de forma gradual os objetos fantasiosos, como ovos de dragão cristalizados e fósseis do animal, a aparição de “zumbis” e rituais mágicos, por exemplo. Na verdade, desde a extinção dos dragões e a chegada do verão (quando desaparecem os “caminhantes brancos”), os próprios eventos sobrenaturais tornaram-se lendas e as intrigas e traições se mostraram muito mais ameaçadores.

E ameaça é o que mais existe no universo de Game of Thrones. Sua trama é completamente imprevisível e nenhum personagem está seguro –diferente, por exemplo, de Lost (originalmente, o médico Jack morreria logo no início, mas os planos foram mudados pelos produtores...). Para se ter uma ideia, a morte de um dos protagonistas no penúltimo capítulo deixou parte dos fãs não apenas inconformados, mas irritados. Mas é justamente essa característica que torna a série instigante: cada episódio traz uma ameaça real e o espectador corre o risco de ver seu personagem preferido ser morto – e alguns morrem, mesmo.

A segunda temporada já foi aprovada e começa a ser rodada a partir do dia 25 de julho, baseada no livro seguinte, A Fúria dos Reis. O curioso é que o quinto livro, A Dance With Dragons, será lançado somente no dia 12 de julho nos Estados Unidos, e Martin já avisou que a coleção terminará com sete obras, mas, se a HBO produzir uma temporada por ano e o escritor manter o ritmo de trabalho (ele levou quatro anos para lançar o quinto livro), a série poderá ficar paralisada. Como se vê, o inverno poderá chegar para os fãs também. 

A FALTA QUE NOS MOVE - CRÍTICA

Filme é Big Brother com diálogos inteligentes


É saboroso ver que o cinema nacional está maduro e se permite realizar experiências que vão além das produções Globo Filmes. Festivais como CineEsquemaNovo dão espaço a obras autorais e independentes que dificilmente conseguem sair das mostras e alcançar o grande público, mesmo que tragam propostas interessantes e inovadoras – vide o caso do interessante Fluidos, do diretor Alexandre Carvalho.

Cineastas como Cláudio Assis (Amarelo Manga, Baixio das Bestas), Sérgio Bianchi (Cronicamente Inviável, Quanto Vale ou É Por Quilo?) e José Eduardo Belmonte (A Concepção, Se Nada Mais Der Certo) ignoram as comédias fáceis para filmar assuntos sérios, polêmicos e com relevância social buscando uma linguagem própria, sem cair numa fórmula pré-estabelecida. É curioso pensar que até as histórias bizarras de Lourenço Mutarelli alcançaram as salas de cinema com os filmes O Cheiro do Ralo e Natimorto, ambos baseados em seus livros.

É com esse contexto que é interessante analisar a chegada de A Falta Que Nos Move aos circuitos comerciais de São Paulo e Rio de Janeiro. A diretora teatral Christiane Jatahy adaptou para o cinema a peça que dirigiu por quatro anos A Falta Que Nos Move ou Todas as Histórias São Ficção, cuja premissa consistia basicamente em reunir cinco atores num único cenário para improvisar falas, cozinhar e beber enquanto aguardavam a possível chegada de um sexto integrante.

Ao transpor para o cinema, Christiane levou à sua casa os mesmos intérpretes da peça, filmados ininterruptamente por 13 horas seguidas, durante a noite de 23 de dezembro de 2007. Na teoria, não há uma história a ser contada: os atores usam seus próprios nomes e discutem assuntos variados e pessoais, enquanto tomam vinho e preparam a janta. E é aqui que entra a grande sacada deste trabalho, afinal seriam todas aquelas conversas realmente improvisadas? Os atores estão interpretando ou apenas sendo eles mesmos? Ou, na mais básica pergunta, que sempre acompanhou o cinema, o que é real e o que é ficção?

A todo momento, os atores recebem em seus celulares, via mensagens de texto, as instruções da diretora, o que mostra que há, de fato, um comando na ação. A química entre os atores permite que as conversas sejam fluidas, tão naturais que, quando começamos a acreditar que tudo ali é verdadeiro, vemos alguém lendo o roteiro, arrumando o microfone ou um dos operadores de câmera aparece no enquadramento, desfazendo toda a magia. Nesse sentido, é curioso pensar que a vista da luxuosa casa mostra um Rio de Janeiro nublado, cheio de névoas: ainda que seja uma coincidência, é uma metáfora perfeita sobre o próprio filme.

Além da ótima direção de fotografia de Walter Carvalho, que conseguiu evitar o clima teatral utilizando-se de recursos de documentário, também devem ser ressaltados os desempenhos de Kiko Mascarenhas, Pedro Brício, Cristina Amadeo, Daniela Fortes e Marina Vianna. As conversas entre eles vão desde desculpas esfarrapadas para a despolitização de sua geração, passando por questionamentos sobre os caminhos da vida, até inseguranças profissionais e amorosas, e nunca fica chato porque os atores parecem realmente usar experiências pessoais para enriquecer suas falas – exceto pelos minutos finais, quando uma discussão entre eles soa artificial demais.


É óbvio que não é uma novidade essa desconstrução da linguagem cinematográfica: o mestre Eduardo Coutinho já havia brincado muito bem com isso em Jogo de Cena, por exemplo, e esse ano mesmo tivemos Amor?, de João Jardim, também misturando realidade e ficção. Mas Christiane Jatahy criou sua própria versão de Big Brother, porém com diálogos muito mais inteligentes.

domingo, 26 de junho de 2011

Peter Falk (1927 – 2011)

Morreu Peter Falk, o desajeitado detetive Columbo


O sobretudo bege, o velho charuto e o Peugeot 403 conversível saíram de cena. Morreu na madrugada do dia 23 de junho o ator norte-americano Peter Falk, que ficou conhecido no mundo todo por seu papel mais famoso, o detetive Columbo, personagem de uma série de televisão que levava seu nome. Falk, que sofria há anos com o Mal de Alzheimer, teve falência múltipla dos órgãos e faleceu em sua casa, no bairro de Beverly Hills, em Los Angeles (EUA).

Nascido em Nova York em 1927, Falk teve o olho direito removido cirurgicamente aos três anos de idade por conta de um tumor maligno. Sua prótese de vidro, que lhe custou alguns papéis no início da carreira como ator, tornou-se uma das marcas principais de seu personagem mais marcante.

Carismático, dispersivo e perspicaz, o detetive Columbo perseguiu criminosos por 35 anos na televisão americana. O personagem foi introduzido num telefilme de 1968, antes de ganhar sua série nos anos 1970, pela qual passaram diretores do calibre de Steven Spielberg (O Resgate do Soldado Ryan) e Jonathan Demme (O Silêncio dos Inocentes). Seu método de investigação destoava do estilo machão de Kojak, Baretta e dos demais detetives da TV, pois ele parecia relapso, fazendo perguntas tolas e apresentando-se de forma displicente, deselegante até, com seu sobretudo amarrotado. Era infalível. Os criminosos o subestimavam e inevitavelmente caíam na armadilha, entrando em pânico diante da última pergunta, que resolvia o crime pela lógica.

Columbo se tornou tão popular que, após o fim da série, continuou voltando em telefilmes, até 2003. O personagem rendeu à Falk quatro prêmios Emmy (1972, 1975, 1976 e 1990), de um total de dez indicações. Não por acaso, o sobretudo beje virou uma espécie de segunda pele do ator, aparecendo também fora da série, em filmes como O Detetive Desastrado (1978).

Apesar do sucesso de Columbo eclipsar tudo o mais em sua carreira, Peter Falk também obteve sucesso no cinema e no teatro, tendo conquistado duas indicações consecutivas ao Oscar como ator coadjuvante por Assassinato S.A. (1961) e por Dama por um Dia (1962). Falk recebeu ainda um prêmio Tony por seu desempenho na peça O Prisioneiro da Segunda Avenida (1972). Na TV, participou também de dezenas de séries clássicas, como Cidade Nua, Paladino do Oeste, Os Intocáveis, Alfred Hitchcock Suspense, Além da Imaginação e Dr. Kildare.

Formado em Ciências Políticas pela Universidade de Siracusa, antes de virar ator ele trabalhou como funcionário público. Mas o que queria mesmo era ingressar na CIA (agência de inteligência dos EUA), o que seu defeito físico impediu. Em 1957, abandonou o emprego e dedicou-se à dramaturgia, principalmente por amar a comédia. De pequenas peças nos teatros comunitários, passou aos palcos da Broadway e, mais tarde, alcançou Hollywood. Estreou no cinema em 1958 com uma modesta participação em Jornada Tétrica e ultrapassou a marca de 60 filmes na carreira.

Entre as comédias clássicas das quais participou, destacam-se Deu a Louca no Mundo (1963), A Corrida do Século (1965), Os Prazeres de Penélope (1966) e o cultuadíssimo Assassinato por Morte (1975), todas em papel coadjuvante, mas roubando a cena de atores consagrados, como Spencer Tracy, Tony Curtis, Jack Lemmon, David Niven e até Peter Sellers.

Embora tenha se destacado numa época em que ser “ator de TV” era um estigma, teve o privilégio de trabalhar com cineastas consagrados, e estrelou clássicos como Asas do Desejo (1987), de Wim Wenders, O Jogador, de Robert Altman, e quatro filmes do “pai” do cinema indie John CassavetesOs Maridos (1970), Uma Mulher Sob Influência (1974), Opening Night (1977) e Um Grande Problema (1986). Trabalhou ainda com Sydney Pollack (A Defesa do Castelo), Giuliano Montaldo (A Fúria dos Intocáveis) e William Friedkin (Um Golpe Muito Louco). 

Foi o vovô narrador do cultuado A Princesa Prometida (1987) e participou do primeiro filme do diretor Jon Favreau, Crime Desorganizado (2001). Entre seus últimos filmes estão a animação O Espanta Tubarões (2004), a sci-fi com Nicolas Cage O Vidente (2007) e o desconhecido American Cowslip (2009), com Val Kilmer no elenco.

  
 Peter Falk sofria de Mal de Alzheimer há alguns anos e, em 2007, um dos médicos responsáveis por seu tratamento declarou que o quadro de demência do ator estava tão avançado que ele nem se lembrava de seu passado e da série que o consagrou. Em 2008 foi visto caminhando desorientado pelas ruas de Beverly Hills, o que confirmou o triste estado do astro. Sua filha Catherine Falk tentou ganhar na justiça a custódia do pai, porém Shera Danese, sua segunda esposa, continuou como sua responsável até sua morte.
 

É possível conhecer um pouco mais sobre sua vida através do livro Just One More Thing, biografia lançada pelo ator em 2006. O título refere-se ao bordão usado por Columbo para começar a frase que desvendava o caso.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

A CASA - CRÍTICA


Filme uruguaio assusta com pouco recurso e bela fotografia

Uma mulher e seu pai são contratados por um amigo para limpar uma grande casa abandonada numa fazenda distante. Ao dormir, são atacados por alguma coisa ou alguém. A premissa deste filme independente uruguaio é extremamente simples e não teria chamado a atenção de tanta gente – foi exibido no Festival de Cannes 2010 – não fossem por três observações: foi produzido com apenas US$ 6 mil, uma câmera fotográfica digital e filmado em apenas um único take, sem cortes.

Bem, mais ou menos. Na verdade, apesar de grande parte de suas cenas serem realmente feitas num gigantesco plano-sequência, fica evidente que os momentos em que a câmera entra num ambiente de total escuridão são um subterfúgio para os cortes invisíveis. Esse truque não chega a estragar a sensação de take único e já é usado há bastante tempo (de Alfred Hitchcock em “Festim Diabólico” a Juan José Campanella, naquela cena fantástica em “O Segredo dos Seus Olhos”), mas tira um pouco da mágica do plano-sequência completo, que pode ser visto em “Arca Russa” (de Aleksandr Sokurov) e no nacional “Ainda Orangotangos” (de Gustavo Spolidoro), por exemplo.

Mas é importante observar que o falso plano-sequência não serve meramente como marketing, pois tem uma função narrativa, já que a câmera segue apenas o ponto de vista de Laura (Florencia Colucci) e “A Casa” (La Casa Muda, no original) se trata de um filme de suspense. O diretor uruguaio Gustavo Hernández parte de uma história real, sobre dois corpos encontrados mutilados numa residência na década de 1940, para produzir um longa-metragem visualmente belo e extremamente assustador.

Após chegarem à casa, pai e filha tentam dormir para começar o trabalho de limpeza no dia seguinte, porém ruídos no andar de cima forçam o homem a verificar o que acontece. O sujeito é assassinado de forma brutal e a ameaça ronda a morada num escuro quase absoluto, já que a protagonista possui apenas algumas lâmpadas. E é esse clima de escuridão somado à limitação do ponto de vista representado pela única câmera filmando “sem cortes” que dão ao filme uma angustiante sensação de claustrofobia. Cada parede, cada sombra e cada ruído são ameaçadores, e não saber se o perigo é sobrenatural ou real só piora a situação.

É preciso dar destaque à bela iluminação azulada adotada pelo diretor de fotografia Pedro Luque e aos cuidadosos enquadramentos que, apesar de serem feitos por uma câmera em constante movimento, mostram-se muito bem pensados e ensaiados.
O final reserva a reviravolta que pode dividir opiniões. Aqueles que gostarem, vão argumentar que os truques são normais e aceitáveis, desde que proporcionem a experiência desejada pelo diretor. Os que se decepcionarem, vão dizer que o cineasta trapaceou para contar a história. Ironicamente, é a mesma sensação causada pela questão do plano-sequência.

Hollywood já cresceu os olhos e não perdeu tempo: o remake está pronto e deve estrear este ano, dirigido por Laura Lau e Chris Kentis, dupla responsável pelo suspense Mar Aberto. 


sexta-feira, 17 de junho de 2011

CineEsquemaNovo chega a São Paulo com obras premiadas


Exibição dos filmes do festival gaúcho acontece entre os dias 17 e 19 de junho


Passa por São Paulo entre os dias 17 e 19 de junho a mostra itinerante do CineEsquemaNovo 2011, um festival de cinema de Porto Alegre que aconteceu no final de abril e já está em sua sétima edição.

Além da liberdade quanto ao formato das produções na mostra competitiva – os trabalhos podem ser em película ou digital, filmados com câmera 35mm ou via celular, por exemplo –, o festival gaúcho é conhecido pela valorização da autoralidade e independência dos longas e curtas em exibição, e são justamente alguns dos filmes premiados na edição deste ano que estarão presentes na mostra paulistana.

São 15 produções (seis longas-metragens e nove curtas), dentre eles o laureado Pacific, premiado como melhor filme pelo júri. O documentário de Marcelo Pedroso foi construído a partir das imagens pessoais registradas pelos próprios turistas durante um cruzeiro entre e Recife Fernando de Noronha.

 Album de Família, vencedor do Prêmio Especial do Júri, também é um documentário que faz um registro pessoal: após sua mãe morrer, o diretor Wallace Nogueira convida seu pai, com quem não mantinha um relacionamento próximo há anos, a fazer uma viagem em busca de um álbum familiar.

Jaime Fygura, o enigmático artista que vive pelas ruas do Pelourinho, é retratado em O Sarcófago, vencedor como melhor curta-metragem. A direção é de Daniel Lisboa, que já havia sido premiado numa edição anterior do CineEsquemaNovo com o filme Um Milhão de Pequenos Raios.

Outro destaque vai para Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo, premiado pelo público como melhor curta-metragem. Feita numa estilizada animação 2D, a história surgiu a partir de um pesadelo do diretor Rodrigo John, sobre um cachorro/homem que entra num estado de depressão no qual vai perdendo não só o sentido da vida como também as partes de seu corpo.

Todas as exibições são gratuitas e acontecem na Matilha Cultural. Após a passagem por São Paulo, a mostra itinerante segue para Belo Horizonte.
 Trailer de Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo

segunda-feira, 13 de junho de 2011

CINEMA MUDO: CLUBE DA LUTA


Clube da Luta: "Empregos que odiamos para comprar coisas que não precisamos"

Catherine Deneuve mostra porque é diva


Atriz francesa apresentou-se em São Paulo e Rio para divulgar “Postiche”


“Quatrocentas toalhas brancas? Essa deve ter sido a Sharon Stone, não eu”, comentou em tom de ironia a atriz francesa Catherine Deneuve ao negar a postura de diva do cinema. “Diva, em primeiro lugar, é um termo para ópera. Para as atrizes de cinema é algo meio pejorativo, parece alguém cheio de caprichos”.

É curioso notar que a frase foi dita entre um e outro cigarro durante uma coletiva de imprensa em São Paulo – cidade em que é proibido fumar em locais fechados. É claro que Deneuve não foi importunada em momento algum – vantagens de ser diva.

Ícone do cinema mundial, a atriz está no país para divulgar o filme Potiche – Esposa Troféu, exibido na abertura do Festival Varilux de Cinema Francês 2011, que acontece simultaneamente em 22 duas cidades brasileiras.

No Rio de Janeiro, Deneuve voltou a conversar com os jornalistas e comentou seu incômodo com a repercussão da história do cigarro: “Se soubesse, não teria fumado. Estou aqui para falar de Potiche e não para parecer uma fumante compulsiva. Sou absolutamente contra o politicamente correto. Fiz uma viagem longuíssima para falar do filme e o que vai ficar é ‘ih, ela fumou’. Francamente!".

Com mais de 100 filmes na carreira, a atriz foi indicada ao Oscar por Indochina (de Régis Wargnier), filme de 1992, mas já havia ganhado o mundo bem antes, quando estrelou Repulsa ao Sexo (1965), clássico de Roman Polanski, e A Bela da Tarde (1967), de Luis Buñuel, duas produções que valorizavam a sexualidade de suas personagens.

Pois é o sexo que traz novamente Catherine Deneuve aos cinemas, desta vez de uma forma mais política. Potiche se passa na década de 1970, momento das revoluções socioculturais, como o feminismo. A atriz vive uma dona de casa submissa casada com um machista dono de uma fábrica de guarda-chuvas. Num dado momento, o homem fica doente e ela toma as rédeas da fábrica e da vida.

“O que me seduziu em Potiche foi o lado alegre dessa história e também por voltar a trabalhar com (François) Ozon após ter filmado com ele Oito Mulheres. Deneuve não nega que já viveu uma situação semelhante à da personagem e lamenta que muitas das relações sejam verticais. “Todos em sua vida tiveram a oportunidade de ser um objeto, estar ao lado de alguém sem poder expressar suas ideias, opiniões. Homens, inclusive – existem muitos homens-objeto por aí, que só servem de decoração para suas mulheres”.

Estrela do cinema que é, Catherine Deneuve foi questionada sobre a indústria do entretenimento e da exploração da vida particular das celebridades e não negou seu inconformismo: “Parece que estamos vivendo a realidade imaginada por George Orwell no romance 1984”, declarou, mas deixou claro que não há a necessidade de um comportamento agressivo por parte do artista: “Sempre achei que há coisas da nossa vida que não dizem respeito a ninguém. Não é porque fazemos filmes que podem nos perguntar qualquer coisa. E, bom, se acho uma pergunta inadequada, não respondo”.

Por isso mesmo ela defende o diretor Lars Von Trier, que envolveu-se numa polêmica no Festival de Cannes deste ano ao afirmar que sentia-se nazista e compreendia o ponto de vista de Hitler. “Ele é sempre extremamente provocador, mas é preciso relativizar as coisas. Foi uma piada de mau gosto, mas ainda bem que o filme (Melancolia) permaneceu na competição e rendeu à Kirsten Dunst o prêmio de melhor atriz”. Deneuve já havia trabalhado com o cineasta dinamarquês em 2000, com o filme Dançando no Escuro.

E é por sua grandiosa carreira que ela pode falar com propriedade sobre o exagerado culto à beleza e à juventude que reina no cinema norte-americano. “Hollywood é Hollywood, cada cultura tem suas fantasias e seus excessos. Pessoalmente, eu lamento. Acredito que a gente envelhece melhor na Europa e nos países latinos”.

Pois aos 67 anos, a idade realmente lhe fez bem e Deneuve acredita que sua beleza vai além do lugar em que mora: “Minha mãe é uma mulher bonita até hoje, então acho que a genética ajuda. Mas também me protejo do sol, tomo bastante água e como legumes cozidos. Só não deixo minha vida se restringir a isso”, garante a musa que, de fato, não se nega o prazer de seu cigarro.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

“Filme” sobre a “Eduardo e Mônica” é marketing viral


Eduardo e Mônica, clássica música da banda Legião Urbana, alcançou nesta quarta-feira (08/06) os trending topics do Twitter por meio de uma peça publicitária de uma empresa de telefonia celular.

Postado no site Youtube, o vídeo foi disseminado pela internet como se fosse o filme baseado na canção de Renato Russo, porém se trata de um marketing viral realizado pela agência Africa em parceria com a produtora O2 Filmes, de Fernando Meirelles (Cidade de Deus, O Jardineiro Fiel, Ensaio sobre a Cegueira).

O vídeo, dirigido por Nando Olival, faz uma homenagem ao Dia dos Namorados e mostra os personagens vivendo os acontecimentos narrados na música. Apesar de se tratar de uma propaganda, parece não ter incomodado os fãs da banda Legião Urbana.

Há, no entanto, uma música da Legião Urbana que está virando filme: trata-se de Faroeste Caboclo, canção sobre a saga de João de Santo Cristo (Fabrício Boliveira), sujeito que vai de Salvador a Brasília em busca de uma vida melhor, mas, no meio do caminho, entra para o tráfico de drogas, apaixona-se por Maria Lucia (Ísis Valverde) e torna-se inimigo de outro traficante, o perigoso Jeremias (Felipe Abib).

O longa-metragem está em processo de filmagens e a direção está nas mãos do estreante René Sampaio, com produção da Gávea Filmes e da Globo Filmes. A data de estreia ainda não está definida.

The Girl with the Dragon Tattoo - Cartaz


Novo filme de David Fincher (A Rede Social, Clube da Luta) só vai estrear no Brasil em 2012???? Refilmagem do filme sueco Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, baseado na série de livros Millennium, de Stieg Larsson.

Veja o trailer e comece a contagem regressiva:

sábado, 4 de junho de 2011

LEANDRA LEAL - ENTREVISTA


Para viver a médica residente Carmem, protagonista de Estamos Juntos, novo filme de Toni Venturi, a atriz Leandra Leal passou algumas semanas no Hospital Universitário da Universidade de São Paulo. Lá, pôde conhecer a rotina e a vida de médicos e enfermeiros e garante que foi uma experiência marcante. “Foi incrível, deu humanidade à Carmem. No hospital, as pessoas têm uma rotina exaustiva e apaixonante, é uma realidade que suga e ao mesmo tempo alimenta muito”.

Sua participação no longa foi tão intensa que o diretor a convidou para também atuar na produção, interferindo no roteiro com novas propostas e ideias. “Foi um filme que me consumiu muito, pelo volume e pela responsabilidade. Quando eu voltava para casa, pensava o que ia fazer no dia seguinte”.

Na história, Leandra interpreta Carmem, uma médica residente que tem sua vida alterada ao descobrir que pode estar gravemente doente. “A questão da Carmem não é só a doença, mas a descoberta de que a vida não é eterna, algo que a afeta profundamente. E que você não é o senhor de seu destino, por mais que você pense, a vida acontece”.


Você participou de vivências nos ambientes onde se passa a história. Fale um pouco dessa experiência.
Com o Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC) eu não tive tanto contato, apenas na época das filmagens e foram bem intensas, porque a personagem era estranha àquilo tudo. Quando a equipe foi lá antes da filmagem, eu não quis ir junto porque seria legal aproveitar o impacto pessoal. No hospital foi incrível, apaixonante. Deu humanidade à Carmem, alguém que é autossuficiente, fechada e órfã. No hospital as pessoas têm uma rotina exaustiva e apaixonante, e é difícil se relacionar com outras pessoas que não sejam daquele ambiente. É uma realidade que suga e ao mesmo tempo alimenta muito.


 Sua personagem passa por um momento muito dramático. Isso chega a afetar psicologicamente o intérprete?
Não tenho nada disso, afeta numa questão mais racional, mesmo, porque eu passo o tempo inteiro pensando sobre o trabalho. Esse filme me consumiu muito, ser protagonista de um filme te consome muito, pelo volume e pela responsabilidade. Quando eu voltava para casa, pensava o que ia fazer no dia seguinte, então desta forma esse estado fica em você numa relação objetiva, mas não de ser e viver o personagem. Psicologicamente pode até afetar, mas no sentido de entender outros aspectos do ser humano. A Carmem passa por uma sensação que nunca passei e espero nunca passar. A questão da Carmem não é só a doença, mas a descoberta de que a vida não é eterna, algo que a afeta profundamente. E que você não é o senhor de seu destino, por mais que você pense, a vida acontece.

 O que aprendeu com o filme?
O MSTC foi uma descoberta. Eu já conhecia o movimento, mas eu nunca tinha visto de perto. Qualquer movimento que esbarra na palavra propriedade será criminalizado e sofre com o pouco envolvimento da sociedade e da pouca cobertura da imprensa. Cara, eu vi no MSTC o quanto é fácil alguém vir para São Paulo e acabar morando na rua. A maioria dos casos é de pessoas que vieram do interior com o contato de um único amigo que já veio antes, então arranja um emprego, aluga um quarto e tem um salário que só dá para pagar o aluguel. Se ele ficar desempregado e se não arrumar outro em seguida, não paga o aluguel e é despejado. Sem o CEP, não arruma emprego e acabou, vai morar embaixo da ponte. Quando estávamos fazendo o filme, houve uma desapropriação em uma favela na Zona Sul de São Paulo e foram 2 mil famílias para a rua. Eu não consegui acreditar, eram quase 10 mil pessoas. E a cidade não fala nada, isso não é possível, é muita gente.

*Texto publicado no site PipocaModerna.com.br