sexta-feira, 5 de agosto de 2011

NÃO SE PREOCUPE, NADA VAI DAR CERTO - Crítica


Novo filme de Hugo Carvana tem título sincero


É inegável a contribuição de Hugo Carvana ao cinema nacional – sua filmografia é gingantesca, atuando desde clássicos como Terra em Transe (de Glauber Rocha, em 1967) ao recente 5X Favela (filmagem coletiva, de 2010). Talvez por isso mesmo seus dois filmes mais recentes como diretor tragam, além do humor característico, uma pitada de melancolia, uma saudade de um tempo em que o herói cinematográfico era o malandro romântico, não traficantes ou soldados do Bope.

A Casa da Mãe Joana (2008) tem um pouco disso e Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo, que estreia esse mês, também, e essa característica seria um diferencial não fossem dois problemas: o que é melancólico não emociona e o humor não faz rir.

Tarcísio Meira volta aos cinemas depois de 21 anos (seu último filme foi Boca de Ouro, dirigido por Walter Avancini em 1990) como Ramon Velasco, ator aposentado e trambiqueiro irrecuperável. Ele viaja Brasil afora com seu filho Lalau Velasco (Gregório Duvivier, de Apenas o Fim), também ator, que não se enquadrou nos moldes da televisão e acabou optando por pequenos shows de stand-up a cada cidade em que estaciona sua Kombi colorida-lisérgica.

Carvana usa essas apresentações do filho para apresentar o personagem de Tarcísio Meira ao público, deixando claro que há uma relação de admiração e decepção com o pai, alguém que vive de pequenos golpes sem pensar nas consequências, afinal sua filosofia é repetidamente citada na frase “não se preocupe, nada vai dar certo”.

Durante um de seus shows, uma relações públicas (Flávia Alessandra) de uma grande corporação lhe faz um interessante convite: ganhar uma bolada para se passar por um famoso guru durante um workshop. A oportunidade é perfeita não apenas pelo cachê, mas também para se livrar do pai e viver uma vida sem golpes – apesar de ser esse trabalho exatamente um trambique. 

E é aqui que “Não Se Preocupe...” derrapa, ao não aproveitar a grande piada do filme: o guru que promove o enriquecimento sem culpa. O personagem criado por Duvivier, um mentor espiritual indiano com sotaque hispânico (?), é hilário e sua filosofia pró-capitalismo é uma bela tiração de sarro.

No entanto, a história toma um rumo diferente e acaba se tornando uma trama policial completamente batida e previsível, resgatando o personagem de Tarcísio Meira como protagonista.

Com exceção de Duvivier como o conselheiro fajuto e a participação especial do próprio Carvana como um falso frade, as demais interpretações são sofríveis, em grande parte por culpa de diálogos fracos.  

No fim, a impressão que fica é que o longa é uma mistura de novela das 7 com Zorra Total. E, nesse caso, o espectador precisa se preocupar, sim, porque o filme não deu certo.  

MAMUTE - Crítica


Mamute é um road movie com bela atuação de Gérard Depardieu



Indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim, Mamute é o terceiro filme de Gérard Depardieu a chegar às salas brasileiras em 2011, após Minhas Tardes com Margueritte, de Jean Becker, e Potiche: Esposa Troféu, de François Ozon.

Aqui ele carrega o longa sozinho no papel de Serge, um açougueiro que completou 60 anos e finalmente conquistou a aposentadoria. Mas após tanto tempo trabalhando, o sujeito percebe que não sabe muito bem o que fazer com o tempo livre – tentar consertar os móveis de casa ou montar o quebra-cabeças de 2 mil peças que ganhou dos ex-colegas de trabalho não ajudam muito. Principalmente porque seu casamento está desgastado e sua mulher (Yolande Moreau) é uma insuportável reclamona.

Ficar em casa, como se vê, torna-se insustentável e a solução nasce justamente por conta de um problema: os antigos patrões de Serge não fizeram o registro formal na previdência e, para ele receber o benefício, precisará visitar cada local em que trabalhou e resgatar os documentos que comprovam seu histórico profissional.

A dupla Gustave de Kervern e Benoît Delépine escreveu e dirigiu esse interessante road movie cujo protagonista é um homem enorme, com longos cabelos loiros e cara de poucos amigos montado em sua moto Munch Mammut, um símbolo dos anos 1970.

Na primeira metade do filme, a câmera na mão enquadra com certa frequência o rosto de Serge, permitindo essa aproximação entre o espectador e o personagem e mostrando que, por detrás daquele mamute, há um sujeito de bom coração.

Mas talvez o próprio Serge tenha se esquecido de quem é e precise desenterrar seu passado – como fica claro na metafórica cena na qual ajuda o amigo coveiro a retirar um caixão da cova.

O mesmo acontece com o próprio ato de viajar pelo país em busca de suas origens. Resgatar os documentos antigos é revisitar as lembranças, descobrir-se novamente e tentar entender quais caminhos o levaram a ser o que o tornou hoje – inclusive enfrentar um trauma esquecido que envolve uma ex-namorada (Isabelle Adjani).

A fotografia granulada de Hugues Poulain (remetendo à ideia de “memória”) é interessante e os coadjuvantes que aparecem ao longo da projeção estão ótimos – principalmente a atriz Miss Ming, que interpreta uma simpática garota com distúrbios mentais.

Mas este é um filme de Depardieu, o tipo de ator que o grande público sabe que conhece, mas não se lembra exatamente de qual filme. Talvez a referência mais óbvia seja as adaptações cinematográficas das histórias de Asterix, personagem clássico das histórias em quadrinhos, nas quais interpreta Obelix.

Esse ótimo ator francês já trabalhou com o diretor Ridley Scott (1492 - A Conquista do Paraíso), atuou ao lado de Leonardo DiCaprio em O Homem da Máscara de Ferro e até participou do infantil da Disney 102 Dálmatas.

Se Depardieu está sumido das produções hollywoodianas é porque anda dando bastante atenção ao cinema de sua terra natal e a obras que valorizem seu talento. Vale a pena conferir o trabalho deste ator na criação de camadas deste personagem. Repare na transformação pela qual passa Serge, de mamute agressivo a um adorável ursão de pelúcia.

MULHER GATO - PRIMEIRA FOTO REVELADA



Com as centenas de fãs e paparazzi acompanhando as filmagens de O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises) – e postando na internet diversas fotos e vídeos dos bastidores – a Warner finalmente decidiu mostrar o visual da Mulher Gato, interpretada por Anne Hathaway.

Como já era de se esperar, a prévia do uniforme é completamente realista – nada de colant hipersexy ou máscara felina. A roupa preta lembra um traje de espião, complementado por óculos de alta tecnologia (vale lembrar que nem foi confirmado se o nome "Mulher Gato" será utilizado no filme, já que, oficialmente, a personagem só foi chamada de Selina Kyle).

Como Selina é uma ladra no mundo das HQs, presume-se pelas fotos que ela tenha roubado um batpod do homem-morcego.

Leia aqui o perfil de Anne Hathaway e conheça mais sobre a atriz que interpretará a Mulher Gato na conclusão da saga de Batman nos cinemas pela visão de Christopher Nolan.


ATUALIZAÇÃO (05/08): 


Mais duas fotos foram divulgadas, provavelmente uma dublê:





O Cavaleiro das Trevas Ressurge está previsto para estrear no Brasil dia 27 de julho de 2012.

HUGO CARVANA APRONTA NOVA MALANDRAGEM


O malandro irrecuperável é uma paixão do ator e diretor Hugo Carvana, e o típico personagem volta à tona em seu mais novo trabalho, Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo, que estreia dia 05 de agosto.

Para divulgar o filme, Carvana, Tarcísio Meira, Gregório Duvivier e Herson Capri participaram de uma coletiva de imprensa para falar sobre a produção, os personagens, o cinema brasileiro e a vida de ator.

Afinal, a arte de interpretar e as dificuldades dos profissionais que não estão no mainstream são alguns dos tópicos do longa. Na trama, Tarcísio Meira vive um ator aposentado que vive de pequenos golpes enquanto seu filho (Duvivier), também ator, aceita o convite de uma grande empresa para fingir ser um guru indiano durante uma semana em troca de uma boa grana.

“Sou politicamente incorreto, sou torto e jamais vou trilhar o caminho do certo. Poderia falar sobre um pai e um filho com moral e caráter, mas esse tipo não me interessa. Os outros que façam, não eu”, confessou Carvana, sobre os protagonistas malandros.

O assunto é caro a Carvana, como ele deixou claro já em sua estreia na direção, com Vai Trabalhar, Vagabundo, de 1974. "Não Se Preocupe..." é seu oitavo filme como diretor, e o cineasta não nega o orgulho que tem de sua filmografia.

“Meu trabalho deve ser analisado por um sociólogo, não por um crítico. Se alguém tiver a paciência de verificar a tipologia humana que montei, são mais de 300 personagens, de todas as camadas sociais, de todas as almas e características. Isso não é um mérito meu, é apenas meu olhar”.

E Tarcísio Meira volta aos cinemas depois de 21 anos (seu último filme foi Boca de Ouro, dirigido por Walter Avancini em 1990) para estrelar o novo malandro de Carvana. Ramon Velasco foi um ator de sucesso no passado, mas que agora apronta pequenos golpes enquanto seu filho faz pequenas apresentações de stand-up Brasil afora.

Veterano da televisão, Tarcísio lembra que sua carreira começou paralelamente à chegada e democratização da TV, fato que pode explicar sua transformação num mito. E, assim como seu personagem, ele adora seu ofício. “Se eu não recebesse por esse trabalho, eu pagaria, porque sou apaixonado por ele. Tenho o privilégio de exercer uma profissão da qual gosto muito”.

Mas a vida dos profissionais da atuação nem sempre é iluminada pelos holofotes da TV e o jovem ator Gregório Duvivier tem consciência disso. “Foi bom poder falar dessas pessoas que escolhem outro caminho, que não estão no mainstream, afinal há tanta gente talentosa por aí que o grande público não conhece. Acho bonito isso, esses atores que não têm problema com o anonimato, que não buscam a fama, mas o contato com o público, que é a natureza desta profissão.”

No filme, Duvivier interpreta Lalau Velasco, um ator que não se enquadrou nos moldes da televisão e acabou optando por performances em praças públicas e teatros de pequenas cidades. Até que ele aceita uma proposta de uma grande empresa para fingir ser, durante uma semana, um conselheiro espiritual internacional, cuja filosofia é o enriquecimento financeiro sem culpa.

O personagem criado por Duvivier é o hilário Bob Savanandra, um guru indiano cujo sotaque é, ironicamente, hispânico. “Me perguntei: ‘de quem a gente lembra quando pensa em esotérico trambiqueiro?’ Walter Mercado. Então foi nele que me inspirei”, contou o ator, que despontou em 2009 após sua participação no cultuado longa-metragem Apenas o Fim.

Duvivier inclusive enxerga paralelos entre a produção de baixíssimo orçamento dirigido por Matheus Souza e o novo filme de Hugo Carvana, que conta com co-produção da Globo Filmes e distribuição da Imagem Filmes.

“Os dois têm em comum a questão de não ser industrial e sim autoral. ‘Não Se Preocupe...’ é uma comédia rasgada, mas vira um policial, é algo que torna o filme diferente do que se espera. Tem também aquela cena bonita e triste do ator desempregado falando sobre acabar na fila do INSS. É comédia, mas com veia autoral. Tem a cara do Carvana.”

E como o cineasta que traz dezenas de filmes no currículo vê a atual fase do cinema brasileiro? “Vejo bem. Digo isso porque tenho quase 60 anos de cinema e já passei por tantas situações que posso dizer que hoje está bem”, garante Carvana. O diretor lembra que a produção nacional evoluiu muito na questão técnica, com notável melhora na captação de áudio, projeção nas telas, conforto das salas e até maior exigência do público.

“Não há mais espaço para a velha frase ‘Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça’. Essa fase romântica foi bonita, participei dela e tenho muito orgulho, mas não dá mais. A pessoa até pode sair filmando com uma câmera, mas ele sabe que, no mercado competitivo que se tornou o cinema brasileiro, terá dificuldade de exibir seu trabalho.”

Para o cineasta, é justamente a distribuição o calcanhar de Aquiles do cinema nacional. Ele lembra que é preciso criar mais circuitos exibidores e alternativos para que a produção brasileira possa, de fato, chegar ao público.

“Quem está ligado à atividade cinematográfica, qualquer que seja o setor, visa o lucro, não tem jeito. O dono do cinema pode achar teu filme uma obra-prima, mas ele tem uma cadeia de cinemas que consome uma despesa mensal com impostos e empregados. Então, na hora que oferecem-lhe um cardápio de filmes, ele terá de escolher um – e, com isso, vários dançaram”.

Carvana já está com seu próximo projeto engatilhado: a sequência de A Casa da Mãe Joana, produção de 2008 que trazia Paulo BettiJosé WilkerPedro Cardoso e Antônio Pedro como os malandros que não gostam de trabalhar. Ele brincou com a ideia que teve para continuar a história: “Farei uma incursão no espiritismo, que está em moda”, disse, quase sem parar de rir.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CAPITÃO AMÉRICA - O PRIMEIRO VINGADOR --Crítica

"Capitão América" equilibra reinvenção e o legado da Marvel


Três países – Coreia do Sul, Rússia e Ucrânia – optaram por adotar apenas o subtítulo da nova produção da Marvel, Capitão América – O Primeiro Vingador (meses atrás, cogitava-se que mais países fariam o mesmo).

Pode parecer bobeira, mas não é. Enquanto outros personagens de histórias em quadrinhos carregam de forma mais sutil símbolos da ideologia americana e seu way of life (como as cores dos uniformes do Homem-Aranha, do Superman e da Mulher Maravilha, por exemplo), não há segredos em Capitão América: ele é o super-herói que veste literalmente a bandeira americana e, na capa de sua primeira edição, em 1941, aparece socando Hitler – meses antes de os Estados Unidos entrarem oficialmente na Segunda Guerra Mundial.

No entanto, a América de hoje não é mais a mesma e o império mostra-se claramente em declínio. Há um sentimento antiamericano pelo mundo, que não deve melhorar com o estouro da crise financeira que está afetando toda a economia global e com os resultados das duas guerras que trava atualmente, cujos motivos e legitimidade sempre foram questionados.

E isto se reflete, sim, no cuidado que a Marvel teve com a produção do novo filme do “Sentinela da Liberdade”, afinal o resultado poderia se refletir no seu projeto mais ambicioso: o longa metragem dos Vingadores – a equipe de super-heróis que traz, além do Capitão, Homem de Ferro, Hulk, Thor e outros personagens menores.

E Capitão América – O Primeiro Vingador é um belo filme, apesar da insegurança que causava o nome do diretor Joe Johnston, cujo último trabalho foi o péssimo O Lobisomem. Aqui, o cineasta foi esperto e adotou fórmulas consagradas: o clima leve de Indiana Jones (Johnston foi o responsável pelos efeitos visuais de Os Caçadores da Arca Perdida), um charmoso visual retrô futurista e a já batida, porém eficiente, ideia das ligações nazistas com a magia.

A opção do estúdio em contar de forma relativamente fiel a origem do herói foi acertada, afinal se o inimigo é nazista, já é meio caminho andado. Durante a II Guerra Mundial, Steve Rogers (Chris Evans) tenta insistentemente ser convocado para o exército, porém seu porte físico quase infantil torna-se uma barreira para seu sonho de servir a pátria. O cientista alemão Dr. Erskine (Stanley Tucci) vê no rapaz o espírito necessário para o projeto “Supersoldado”, um programa militar secreto criado em parceria com o cientista Howard Stark (Dominic Cooper), futuro pai do Homem de Ferro.

De magrelo a bombado em poucos minutos, Rogers transforma-se no Capitão América, uma jogada de marketing para angariar fundos para a guerra e motivar soldados. Mas o sujeito percebe que pode contribuir mais para o país indo à campo, principalmente depois de descobrir que Hitler não é o principal inimigo e sim o Caveira Vermelha (Hugo Weaving), um líder nazista que tem propósitos mais radicais que o próprio Führer.

Chris Evans está muito bem no papel, principalmente no primeiro ato, quando ainda é um sujeito franzino – o efeito especial que diminuiu seu corpo, aliás, está ótimo e não incomoda. Seu Capitão América tem personalidade própria e não deixa lembranças do Tocha-Humana, outro super-herói interpretado por Evans, no longa-metragem do Quarteto Fantástico.

Tommy Lee Jones está apagado como o coronel Chester Phillips, aparecendo apenas como alívio cômico. Hayley Atwell, que deve entrar agora no grupo das novas estrelas de Hollywood, dá charme à militar Peggy Carter, par romântico do herói. Charme, aliás, é o que falta a Cooper, que, ao tentar criar um estilo Stark, não consegue fugir da sombra de Robert Downey Jr. Mas, interessante mesmo, é ver que Hugo Weaving fica melhor como Caveira Vermelha do que como Johann Schmidt, talvez porque seu rosto tenha ficado muito marcado após a participação em duas trilogias clássicas, porém modernas: Matrix e O Senhor dos Anéis.

O roteiro, apesar de quadrado, respeita o tempo de transformação de Rogers em Capitão América, sem pressa para colocar o herói uniformizado em ação – uma regra que já foi aprendida desde a retomada das HQs no cinema. É divertido ver como a Marvel está criando um universo próprio com seus filmes, permitindo a intertextualidade entre as obras: há referências diretas aos longas do Homem de Ferro, Thor e Hulk.

As cenas de ação estão boas e, se há um excesso de câmera lenta, não se deve apenas à herança de 300, mas também remete à própria linguagem de uma HQ, com suas imagens estáticas. E claro, também tem a confiança no visual do uniforme do Capitão América, que ficou ótimo como uma roupa funcional inspirada nas vestimentas de paraquedismo (é uma pena que a Marvel já mostrou que, para o filme dos Vingadores, o uniforme do herói já foi modificado e está mais próximo da fantasia usada nas histórias em quadrinhos).

Mas é interessante notar como o patriotismo ficou moderado nesse Capitão América – em qualquer filme do Michael Bay a sensação é muito mais explícita. Na verdade, ver o uniforme surrado e o escudo riscado por balas dá margem a interpretações mais irônicas sobre a atual situação dos Estados Unidos.

Agora que todos os personagens foram apresentados ao longo de quatro filmes, resta esperar 2012 para conferir se os super-heróis funcionam todos num mesmo filme. Que venham os Vingadores.



Clique aqui para conhecer as outras versões cinematográficas do Capitão América.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Novo filme do Motoqueiro Fantasma será mais dark, promete Nicolas Cage


Carreira do anti-heroi recomeça, ignorando o filme anterior

Depois do fracasso de público e crítica de Motoqueiro Fantasma, adaptação do personagem em quadrinhos realizada em 2007, a Columbia Pictures aproveitou seu painel na Comic-Con para deixar claro que Spirit of Vengeance terá um estilo completamente diferente, mais fiel à HQ.

Ao menos foi o que garantiram os diretores Brian Taylor e Mark Neveldine. “O primeiro filme foi uma versão ‘Walt Disney’, já o nosso é mais dark e intenso. E Blaze é um pesadelo, ele é mais vilão do que herói. O seu superpoder é sugar a alma”, provocou Taylor.

O astro Nicolas Cage, que repete o papel de Johnny Blaze/ Motoqueiro Fantasma, concorda com a mudança de tom proposta pelos diretores. “Eu queria ir nessa direção mais assustadora, queria abraçar o aspecto pesadelo do personagem. Numa época em que estamos fazendo filmes de quadrinhos o tempo todo, você precisa ter ‘bad boys’. Estou feliz de poder fazer o filme com esses caras.”

Taylor dá uma ideia do que os fãs podem esperar do novo visual do Motoqueiro Fantasma: “Quando virem a aparência de Cage, vocês perceberão na hora que se trata de um mundo totalmente diferente, literalmente. Suas roupas e sua moto não parecem ter sido criadas por designers fashion. Parece que ele saiu do inferno”.

Nicolas Cage contou que buscou novas referências para sua interpretação, inclusive experimentando movimentos animalescos, como o de cobras, para parecer mais ameaçador. “Na primeira vez que Nic apareceu no set como o Motoqueiro Fantasma, ele estava tão silencioso que assustou a todos. As pessoas comentavam ‘Ele está estranho’”, divertiu-se Taylor.

Além de um novo visual, os diretores sabiam que o novo filme precisava ter cenas de ação dignas do personagem. Então a dupla (responsável por longas como Adrenalina e Gamer) apresentou, além do esperado trailer, um vídeo com cenas dos bastidores e detalhes das filmagens. Nas imagens, é possível ver que os próprios diretores operavam as câmeras nas sequências de ação, seja seguindo as motos sobre patins, pendurados em cabos de aço ou até pulando de prédios.

Neveldine contou que incitou a equipe de dublês com uma estranha promessa: as tomadas nas quais eles se machucarem entrarão na edição. Taylor provocou: “Vocês verão ossos de verdade serem quebrados no filme”.

Neste novo longa-metragem, Johnny Blaze está escondido no leste europeu tentado descobrir como controlar sua maldição. O Motoqueiro Fantasma terá de enfrentar o próprio diabo, que pretende encarnar no corpo de uma criança. Além de Cage, estão no elenco Christopher Lambert, Idris ElbaJohnny Whitworth e Violante Placido.

A estreia está prevista para fevereiro de 2012.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Francis Ford Coppola apresentou seu novo filme, Twixt

Na Comic-Con deste ano, cineasta divulgou produção inspirada nos contos góticos de Edgar Allan Poe


Vinte anos depois de lançar Drácula de Bram Stoker, o cineasta Francis Ford Coppola (O Poderoso Chefão, Apocalypse Now) voltou à Comic-Con neste final de semana para divulgar Twixt, sua nova produção, inspirada nos contos de Edgar Allan Poe (1809-1849).

“Sempre amei os romances góticos, as histórias de horror”, confessou Coppola a uma plateia de quase seis mil expectadores. Twixt é uma produção independente de baixo orçamento típica do começo da carreira do cineasta e traz no elenco estrelas em declínio, como Val Kilmer, e novos nomes, como Elle Fanning.

Na história, um escritor decadente (Kilmer) chega a um povoado e, após envolver-se no assassinato de uma garota, passa a receber a visita de um fantasma (Fanning). O diretor disse que teve a ideia a partir de um sonho que envolvia espíritos de garotas órfãs e o próprio escritor Edgar Allan Poe. “Tudo veio de um sonho. Poe apareceu e eu pedi: ‘Me mostre o caminho!’”.

E o caminho adotado por Coppola foi utilizar a técnica 3-D após conferir Avatar. No entanto, o cineasta disse não ter ficado completamente satisfeito com o resultado da produção de James Cameron, preferindo assistir certas cenas sem os óculos. “Algumas boas sequências deveriam ser em 3-D, mas não todas”, comentou.

Foi justamente o que Coppola propôs ao público: durante a apresentação de trechos de Twixt, os espectadores eram avisados sobre quando deveriam utilizar os óculos 3-D. Quer dizer, óculos, não, máscaras: cada pessoa da plateia recebeu uma máscara do rosto de Poe cujos olhos eram as lentes 3-D. “Oh meu Deus, 6.000 Edgar Allan Poes!”, brincou o diretor, também devidamente mascarado.

Esse clima de bom humor foi permanente durante todo o painel, inclusive quando o diretor tentou apresentar, sem sucesso, sua proposta experimental de editar e introduzir a trilha sonora automaticamente e ao vivo: a projeção apresentou falhas técnicas e foi interrompida. Coppola, Kilmer e o músico eletrônico Dan Deacon fizeram piada com a situação.

A ideia do diretor é, utilizando um software específico, realizar projeções ao vivo na qual Twixt tenha uma edição própria, com cenas deletadas ou incluídas aleatoriamente em cada sala. “Por que os filmes precisam ser enlatados? Sinto que há um desejo de que a vida deva voltar aos cinemas. Adoraria sair em turnê por um mês e realizar uma versão diferente do filme para cada público”.

“Ele está tentando capturar algo que é genuíno e emocionante sobre o entretenimento”, comentou Kilmer, amigo de longa data do diretor. O ator complementou com um velho clichê: “Nós vamos assistir a algo nunca visto antes”.

Mas as produções experimentais e independentes, que vêm fazendo parte dos projetos de Coppola há algum tempo, não são o único foco do diretor de 72 anos, que confessou estar trabalhando num roteiro para algo mais comercial. “Estou ficando velho e ainda há algumas coisas que quero expressar em um contexto um pouco maior.”

Questionado sobre a possibilidade de a família Corleone (da trilogia O Poderoso Chefão) voltar aos cinemas, devido à onda de remakes, reboots e “reimaginações” de Hollywood, o cineasta confessou não possuir qualquer direito sobre a obra, que pertence à Paramount – logo, o estúdio poderia fazer o que desejasse. E lamentou essas constantes repetições sobre os mesmos filmes já produzidos: “É uma pena. Todo esse dinheiro poderia ser investido em novas histórias”.

Twixt ainda não tem previsão de estreia.

VEJO VOCÊ NO PRÓXIMO VERÃO - CRÍTICA

Filme marca a estreia de Philip Seymour Hoffman na direção


Uma estrangeira faz perguntas tolas ao motorista Jack, interpretado por Philip Seymour Hoffman – ela desculpa-se e explica que está treinando o seu inglês. Logo depois, o rapaz para o carro para conversar com o companheiro de trabalho Clyde (John Ortiz): na verdade, nem é bem uma conversa já que Jack não consegue se expressar muito bem, nem com o melhor amigo.

No pouco que é dito, descobrimos que o motorista de limosines adora reggae, apesar de não entender muito bem algumas palavras do inglês jamaicano. Por fim, quando realiza seu primeiro encontro romântico em anos, Jack não consegue desenvolver uma conversa, respondendo apenas a “sim” ou “não” ou simplesmente repetindo as mesmas frases ditas pela moça (Amy Ryan).

Como se vê, Vejo Você No Próximo Verão (Jack Goes Boating) trata da incomunicabilidade das pessoas nos dias de hoje, ainda que ouvimos a todo momento que, no mundo moderno, “estamos todos conectados”.

 É uma bela estreia de Hoffman na direção, baseado numa peça teatral de Robert Glaudini (que também adaptou o roteiro). Na história, Jack é um sujeito tímido, fechado, cuja rede de relacionamentos engloba apenas três pessoas: seu tio e patrão (Richard Petrocelli) e o casal Clyde     e Lucy (Daphne Rubin-Vega). Os amigos decidem marcar um jantar para tentar promover o relacionamento entre Jack e Connie (Amy), uma mulher tão cheia de neuroses e travas emocionais quanto o rapaz.

Nos poucos momentos em que conseguem realizar algum esboço de diálogo, Jack descobre que terá que aprender a cozinhar e a nadar para agradar Connie. Na verdade, apesar de relativamente simples, o ato de aprender novas atividades simbolizará a grande mudança do personagem que, pela primeira vez, começa a direcionar a própria vida e não apenas ser levado por ela.

Vejo Você No Próximo Verão é um filme de sutilezas e interpretações e afundaria não fosse o ótimo elenco, afinal o roteiro acompanha inteiramente a trajetória vivida pelos dois casais. O carisma de John Ortiz é magnético e Hoffman, como sempre mostrou ao longo da carreira, é livre de qualquer vaidade: aqui, ele está gordo e feio.

O diretor também compõem interessantes enquadramentos e belas imagens, principalmente nas cenas da piscina – e é coerente ao mostrar uma Nova York fria, suja e pouco acolhedora, diferente da cidade romanceada em outras projeções.

São belas, também, as imagens em que Jack aparece imaginando situações: ele sendo um ótimo nadador, cozinhando perfeitamente, passeando de barco com Connie... O casal de amigos Clyde e Lucy também fogem da realidade, não fantasiando coisas, mas com o uso de maconha e haxixe. Porém, quando a imaginação (ou o efeito das drogas) acabar, será preciso enfrentar a realidade e os problemas escondidos debaixo do carpete.